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Governo anuncia impulso imobiliário que favorece a classe média

By Iris Andrade

Governo lança modelo de crédito imobiliário com injeção de 36,9 bilhões de reais

Brasília – O governo federal apresentou um novo modelo de crédito imobiliário, estruturado para transformar o financiamento ao longo de uma década. Em uma primeira etapa, a liberação de parte dos depósitos compulsórios da poupança deve resultar em um aporte de 36,9 bilhões de reais para empréstimos imobiliários, com a maior parte dos recursos concentrada no Sistema Financeiro de Habitação (SFH), que atende famílias com renda entre 12 mil e 20 mil reais.

Embora o programa tenha caráter estrutural e preveja um processo gradual de implementação ao longo de 10 anos, as medidas já devem trazer impactos de curto e médio prazo, especialmente para a parcela da população de classe média alta, já que a politica de popularização de crédito é acompanhada por ações que ampliam o acesso a financiamentos.

Núcleos do programa e teto ampliado

A proposta prevê, ainda, a ampliação do teto de imóvel que pode ser financiado com recursos do FGTS, passando de 1,5 milhão para 2,25 milhões de reais. A iniciativa também envolve mudanças no direcionamento de recursos da caderneta de poupança, com o objetivo de liberar liquidez para o crédito imobiliário.

Reação de autoridades e contexto econômico

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou que a retirada do direcionamento obrigatório dos recursos pode ampliar a eficácia da política monetária, ainda que a medida aumente a liquidez de curto prazo. O discurso contou com aplausos de integrantes do governo, sinalizando apoio técnico às mudanças, que ocorrem em meio a pressões por juros mais baixos no longo prazo.

Antes, a reação ao crédito imobiliário mostrava o desafio de financiar projetos para a classe média, com quedas no funding. Estima-se que, apenas com a Caixa, o volume anunciando atingiria cerca de 80 mil pessoas neste primeiro estágio.

Linhas adicionais de crédito para reformas

Paralelamente ao crédito para aquisição de imóveis, o governo lançou linhas para reformas de imóveis voltadas à classe média baixa, com renda mensal de até 9,6 mil reais. As opções variam entre 5 mil e 30 mil reais, com juros que oscilem entre 1,17% e 1,95% ao mês.

Impacto econômico e político

A medida busca estimular a atividade econômica sem novos gastos diretos do governo, contornando regras fiscais mais rígidas. Analistas ressaltam que o impulso ao crédito funciona como um parafiscal, especialmente com a proximidade das eleições, e é visto como uma estratégia para manter a recuperação econômica em um cenário onde as expectativas de queda da Selic são incertas.

O governo sustenta que a iniciativa não se restringe apenas ao curto prazo, mas visa consolidar a recuperação econômica e ampliar o acesso ao crédito no mercado imobiliário, ao mesmo tempo em que sinaliza uma transição gradual do uso de poupança para o financiamento de imóveis.

Essa leitura aponta para uma combinação de estímulos de crédito com metas estruturais de longo prazo, com o objetivo de elevar a atividade econômica sem elevar despesas públicas diretas, mantendo a disciplina fiscal.

Fonte: JOTA

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