Skip to content

Fundos de ações superam Ibovespa e podem surpreender você

By Iris Andrade

Fundos de ações apresentam desempenho até cinco vezes superior ao Ibovespa no primeiro semestre de 2025

Durante os seis primeiros meses deste ano, o cenário dos fundos de ações no Brasil revelou resultados expressivos, com alguns atingindo valores até cinco vezes maiores que a valorização do Índice Ibovespa. Enquanto o principal indicador da bolsa mostrou um crescimento de 15%, certos fundos de renda variável registraram retornos que ultrapassaram os 75%, surpreendendo investidores e analistas.

A mudança de perfil dos investidores e a preferência por setores específicos contribuíram para esse desempenho excepcional. Setores ligados à economia doméstica, como construção civil, energia e varejo, foram os principais alvos de gestão dos recursos ao longo do período. Gestores apostaram em ações de empresas que, mesmo descontadas, apresentam perspectivas de recuperação e valorização com a provável queda de juros, que deve ocorrer no próximo ciclo econômico.

Gestores apostam em setores internos e negócios com potencial de crescimento

De acordo com análises do mercado, fundos de destaque como Zenith, Alaska e Polo apresentaram desempenhos notáveis, conquistando retornos acima de 70%. O Zenith Hayp, por exemplo, atingiu um retorno de 76,68% neste semestre, consolidando-se como um dos principais vencedores. Outros fundos, como o Alaska Black BDR Nível I, também tiveram performances relevantes, apesar de terem apresentado também períodos de perdas.

  • Zenith Hayp: 76,68%
  • Alaska Black BDR Nível I: 70,19%
  • Polo I: 56,60%
  • BB Construção Civil: 45,01%
  • Stoxos: 44,04%

Esses resultados refletem a estratégia de diversificação que combina ativos com potencial de alta, como construtoras e empresas de energia, com posições vendidas em papéis considerados mais vulneráveis às turbulências do mercado.

Impacto de fatores internos e externos no desempenho dos fundos

Especialistas destacam que, mesmo em um cenário de incerteza global, os fundos de ações brasileiros têm conseguido aproveitar as oportunidades oferecidas por uma conjuntura de juros elevados e baixa liquidez em alguns setores. Além disso, a expectativa de queda de juros e a estabilização de determinadas empresas também impulsionam a recuperação do mercado interno.

Segundo gestores, a diversificação de carteiras é a estratégia mais segura para quem pensa em investimentos de longo prazo, especialmente considerando que as altas da Selic recentemente passaram dos 13% ao ano. Mesmo assim, às vezes, investidores saíram do mercado, resgatando cerca de R$ 43,6 bilhões nos primeiros seis meses, deixando de aproveitar oportunidades de valorização significativas.

Perfil dos fundos e recomendações de investimentos

Os fundos de ações mais rentáveis geralmente apresentam uma gestão com experiência consolidada e históricos de pelo menos três anos. Ainda assim, é importante considerar o perfil de risco, a liquidez do produto e a consistência na gestão antes de escolher onde aplicar os recursos. Diversificação é fundamental para mitigar riscos, sobretudo em momentos de alta volatilidade.

Setores como construção, energia e varejo continuam atraindo a atenção dos gestores, que aguardam redução de juros e melhorias macroeconômicas para sustentar o crescimento. A expectativa é de que, com a possível redução na taxa básica de juros, esses fundos possam continuar a performar bem, favorecendo investidores de longo prazo.

Perspectivas para o mercado de ações no segundo semestre

Especialistas permanecem otimistas, especialmente com a entrada de investidores estrangeiros no mercado brasileiro, apoiada por fundamentos sólidos das empresas e por um cenário macroeconômico que deve evoluir positivamente. A expectativa é de que setores ligados à construção e ao imobiliário se beneficiem de programas governamentais, como o Minha Casa Minha Vida, bem como da expectativa de redução de juros.

Além disso, fundos ligados ao setor imobiliário e de construção, como os geridos pelo BB Asset, apresentaram desempenhos robustos com exposições concentradas em empresas como Cyrela, Multiplan, Allos e Sabesp, refletindo uma conjuntura favorável às ações dessas companhias.

Fundos de estratégia long biased e perspectivas de rentabilidade

Além dos fundos tradicionais, opções de estratégias long biased também tiveram destaque. Esses fundos buscam se beneficiar tanto em cenários de alta quanto de baixa, minimizando perdas em momentos de retração. Um exemplo é o Versa Long Biased, que obteve um retorno de 147% no primeiro semestre, demonstrando a efetividade dessa estratégia em anos de alta volatilidade.

Considerações finais

Embora os resultados incentivem a continuidade de investimentos em fundos de ações, os analistas ressaltam a importância de avaliar o histórico, a gestão e a composição das carteiras para evitar riscos excessivos. O cenário econômico doméstico e internacional ainda apresenta desafios, mas as perspectivas de crescimento, aliadas a uma gestão eficaz, podem promover ganhos consistentes nos meses seguintes.

Fonte: Marcelo d’Agosto, especialista em fundos de investimento.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *