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Fundos de ações superam Ibovespa com lucros incríveis

By Iris Andrade

Fundos de ações apresentam desempenho até cinco vezes superior ao Ibovespa no primeiro semestre

No período de janeiro a julho de 2025, os fundos de ações no Brasil mostraram uma performance extraordinária, atingindo rendimentos até cinco vezes maiores que o principal índice da bolsa, o Ibovespa. Enquanto o índice apresentou uma valorização de cerca de 15%, alguns fundos conseguiram multiplicar essa rentabilidade, chegando a alcançar até 77% de retorno aos seus cotistas.

O segredo por trás dos resultados

De acordo com estudos conduzidos pelo consultor financeiro Marcelo d’Agosto, responsável pelo Guia de Fundos do Valor, o desempenho expressivo dos fundos se deve ao foco em setores ligados à economia brasileira. Gestores estão apostando em ações de varejo, energia e construção, setores que, após anos de queda, exibem sinais de recuperação e valorização devido à redução de juros e às perspectivas de crescimento doméstico.

Feedback dos gestores e setores em destaque

Especialistas destacam que, mesmo com o ambiente global de incertezas, há um otimismo crescente entre os gestores locais, que tem investido em empresas sólidas e com bom potencial de crescimento a longo prazo. O setor de construção, impulsionado por programas habitacionais como o Minha Casa Minha Vida, e empresas de energia, que se beneficiam de tarifas e de uma demanda estável, continuam sendo apostas certeiras.

Fundos notáveis no primeiro semestre incluem o Zenith Hayp, que atingiu cerca de 77% de retorno, e o Alaska Black, com aproximadamente 70%. Outros fundos de destaque, como Polo I, BB Construção Civil e Caixaconstrução, também tiveram desempenhos sólidos, variando entre 36% e 56% de valorização.

Resgate de recursos e estratégias de investimento

Apesar do excelente rendimento, o fluxo de recursos para fundos de ações retraiu em torno de R$ 43,6 bilhões no semestre, evidenciando que muitos investidores optaram por retirar recursos diante da volatilidade ou por preferirem ativos de maior liquidez. Entretanto, analistas reforçam que essa estratégia de manter os investimentos por pelo menos cinco anos é adequada para quem busca retornos consistentes e superiores ao mercado.

Perspectivas para o segundo semestre

O otimismo persiste, especialmente com a perspectiva de cortes na taxa de juros oficial, o que deve impulsionar ainda mais o mercado de ações. Além disso, a expectativa de estabilidade política e a melhora operacional de empresas do setor imobiliário, graças aos programas de incentivo gubernamental, reforçam as projeções positivas.

Setores favoritos e fundos especializados

Entre as preferências atuais, os gestores continuam ampliando suas carteiras em setores como varejo, energia e construção civil. Destaca-se a estratégia de fundos como o da BB Asset, que mantém forte exposição a empresas do segmento de shoppings e construtoras, como Cyrela, Multiplan e Allos, que tiveram ganhos expressivos nos últimos meses.

Guilherme Novaes, executivo da BB Asset, afirma: “Estamos confiantes de que a Selic atingiu o limite e, em breve, teremos novos cortes de juros, o que deverá impulsionar o setor imobiliário e as ações correlacionadas”.

Fundos com estratégia long biased

Outro destaque fica com os fundos com estratégia long biased, que apostam na alta e na baixa de ações conforme cenários específicos, minimizando riscos em momentos de volatilidade. No primeiro semestre, o Versa Long Biased liderou com retorno superior a 147%, seguido por produtos da XP e Encore, que também tiveram desempenhos expressivos.

Ferramentas e recomendações

Investidores que desejam melhor avaliar suas opções devem considerar fatores como histórico de resultados, consistência de gestão e robustez da administradora. Fundos de ações permanecem recomendados para horizontes acima de cinco anos, principalmente para investidores com perfil de risco moderado a agressivo.

Considerações finais

Embora haja movimentos de saída de recursos em momentos de maior volatilidade, a recomendação persiste na diversificação de carteiras e na manutenção de investimentos por prazos mais longos para aproveitar o potencial de recuperação da economia brasileira.

Fonte: Valor Investe

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