Fundador da Reag ligado ao futebol trabalhou com nome de Trump
By Iris Andrade
Operação contra Fraudes no Setor de Combustíveis Revela Conexões com Crime Organizado e Mercado Financeiro
Recentemente, uma força-tarefa desencadeou a Operação Carbono Oculto, investigando um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. A operação apontou ligações profundas entre organizações criminosas, fintechs e fundos de investimento na região da Faria Lima, centro financeiro de São Paulo. Entre os nomes mais destacados na investigação, está João Carlos Mansur, empresário conhecido por seu sucesso no mercado financeiro com a fundação da Reag Investimentos.
Quem é João Carlos Mansur
Com uma carreira de mais de 35 anos, Mansur possui formação em Ciências Contábeis pela Faculdade de Ciências Econômicas de São Paulo. Inicialmente atuou em auditoria e controladoria, migrando posteriormente para o mercado financeiro. Antes de criar a Reag, ele participou da estruturação de mais de 200 fundos de investimento, incluindo fundos imobiliários, de participações e de direitos creditórios.
Seu talento no setor financeiro estimulou o crescimento da Reag, que hoje é considerada a oitava maior gestora de fundos do Brasil, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Trajetória Profissional e Participações
Além do mercado financeiro, Mansur tem envolvimento em negócios no universo do futebol. Em 2023, foi eleito para o Conselho de Orientação e Fiscalização do Palmeiras, um dos maiores clubes do país. Sua relação com o clube se estende à participação na organização do estádio Allianz Parque, uma obra liderada pela construtora WTorre, onde atuou anteriormente.
O empresário também colaborou na administração da Arena do Grêmio, além de administrar o fundo de investimentos na Neo Química Arena, estádio do Corinthians. Recentemente, sua empresa vem investindo na SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do Juventus e na reforma do estádio da Portuguesa de Desportos, com gestão prevista por 50 anos.
Projetos no Mercado Imobiliário e Empresarial
Em 2003, Mansur esteve envolvido na Trump Realty Brazil, uma joint venture com a Trump Organization que buscava explorar o mercado imobiliário de luxo no Brasil. O projeto não alcançou todo o sucesso esperado e foi encerrado em 2006, mas faz parte do seu percurso profissional.
Paralelamente, sua participação no setor imobiliário inclui contribuições para projetos de alto padrão e empreendimentos residenciais e comerciais, sempre com foco em negócios de alta visibilidade.
A Resposta da Reag Investimentos
A assessoria de Mansur divulgou que a Reag Investimentos não possui envolvimento com atividades ilegais relacionadas às investigações. A empresa ressaltou que diversos fundos citados na operação foram descontinuados e que mantém rígidos controles internos para prevenir lavagem de dinheiro.
De acordo com o comunicado oficial, a gestora afirmou atuar de forma regular e diligente nos fundos em que participou, destacando que sua atuação foi transparente e que nunca participou de atividades ilícitas. A Reag também apontou que controla R$ 299 bilhões em ativos, sendo uma das maiores gestoras independentes do Brasil.
As Ações da Empresa Durante a Operação
Na última semana, a empresa confirmou que agentes cumpriram mandados de busca e apreensão nas sedes da Reag no âmbito da operação. Segundo a companhia, as instituições estão colaborando com as autoridades, fornecendo documentos e informações necessárias para o andamento das investigações.
Ela garantiu que continuará a manter o mercado informado sobre os desdobramentos do caso, mantendo sua postura de transparência perante os acionistas e o público.
Investigações Revelam Estrutura Complexa de Crime Organizado
A Operação Carbono Oculto descobriu que o esquema criminoso utilizava diversas empresas para dificultar o rastreamento de recursos ilícitos. Os envolvidos, ligados ao PCC, controlavam até 40 fundos de investimento, com um patrimônio superior a R$ 30 bilhões, que incluíam fazendas, usinas, caminhões de transporte e imóveis de alto valor.
As fraudes envolviam desde a importação de combustíveis no exterior por meio de empresas fictícias até a adoção de fintechs como bancos clandestinos. Segundo a Receita Federal, uma fintech de pagamento atuava como banco paralelo, movimentando mais de R$ 46 bilhões de 2020 a 2024, recebendo valores em espécie — prática incompatível com o funcionamento de uma instituição financeira legal.
Camadas de Ocultação de Patrimônio
Os criminosos utilizavam uma rede de empresas de fachada, principalmente fundos de investimento com um único cotista, que serviam para esconder o verdadeiro proprietário dos bens: um terminal portuário, usinas de álcool, milhares de caminhões e dezenas de imóveis comerciais e residenciais.
As investigações indicam que as brechas na regulação de fintechs e o sistema financeiro facilitaram a lavagem de dinheiro, além de permitir a evasão fiscal e a venda ilegal de combustíveis, prejudicando consumidores e o mercado.
Futuro da Reag Investimentos
A Reag Capital Holding, que controla a gestora, confirmou nesta semana que negocia a venda do controle da Reag Investimentos. Ainda sem nomes de possíveis compradores, a empresa esclareceu que as negociações estão em fases iniciais e sujeitas a sigilo, sem garantia de fechamento de negócio ou definição de valores.
Conclusão
As investigações continuam em andamento, mas já evidenciam a complexidade de um esquema que mistura crime organizado, má gestão financeira e fraudes no setor de combustíveis. Além disso, revelam a importância do combate às brechas jurídicas e regulatorias que facilitam a lavagem de dinheiro no Brasil.
Fonte: Notícias diversas