Formigas engenheiras: evitam epidemias
By Iris Andrade
Formigas ensinam a redesenhar ninhos para evitar epidemias
Pesquisadores da Universidade de Bristol mostraram que as formigas mudam a arquitetura de seus ninhos assim que detectam a presença de patógenos. O que surge é um distanciamento social natural dentro da colônia: câmaras e túneis são reorganizados para reduzir o contato entre grupos e, assim, impedir a propagação de doenças.
Arquitetas da própria saúde
A pesquisa, publicada na revista Science, revela que a inteligência coletiva das formigas vai além da cooperação tradicional. Quando expostas a fungos infecciosos, as formigas deslocam câmaras, afastam áreas de criação e alimento e reduzem as ligações entre diferentes setores do ninho. O efeito é um chamado “distanciamento social arquitetônico” que limita a circulação de microrganismos entre subgrupos.
Como foi feito o experimento
Para confirmar o fenômeno, os cientistas criaram duas colônias com 180 formigas cada e introduziram 20 indivíduos expostos a esporos de fungos em uma delas. Ao longo de seis dias, os ninhos foram mapeados com microtomografia computadorizada, o que permitiu reconstruir imagens 3D das galerias subterrâneas.
- Colônias infectadas apresentaram menos túneis de ligação.
- Entradas ficaram mais distantes entre si.
- Câmaras de crias e de alimentos passaram a ficar mais isoladas.
Em simulações digitais, esse redesenho reduziu drasticamente a exposição das formigas saudáveis aos patógenos, demonstrando a eficácia da adaptação ambiental espontânea.
A imunidade social das formigas
- As formigas contaminadas são limpas com as mandíbulas por companheiras próximas.
- Secreções com efeito desinfetante são aplicadas em áreas afetadas.
- Indivíduos infectados tendem a se isolar voluntariamente em zonas periféricas do ninho.
Essas mudanças de comportamento, aliadas ao redesenho do ninho, fortalecem a defesa coletiva e ajudam a manter a colônia funcional mesmo em ambiente de risco biológico.
O que isso pode ensinar às cidades humanas
Os cientistas veem as colônias de formigas como micromodelos de cidades, com circulação de recursos, interações constantes e riscos epidêmicos. A lógica observada nos insetos pode inspirar novos conceitos de urbanismo e de saúde pública, buscando equilibrar mobilidade, conectividade e proteção contra contágios.
“Entender como as formigas controlam o fluxo interno sem prejudicar o bem-estar da colônia pode nos ensinar a desenhar espaços humanos mais resilientes”, afirma o pesquisador principal.
Conectando ciência e sociedade
Embora o estudo trate de insetos, as implicações vão além da biologia: as estratégias de redesenho de ambientes e de comportamento social podem informar políticas públicas, planejamento urbano e estratégias de prevenção de epidemias em populações humanas.
Fonte: Gizmodo Brasil