Fitch revela como o crédito imobiliário beneficia bancos
By Iris Andrade
Novo modelo de crédito imobiliário pode favorecer bancos grandes, aponta Fitch
Relatório da Fitch Ratings aponta que as mudanças propostas para o uso de poupança no financiamento da habitação devem, em termos de ratings, ter efeito neutro, mas podem aumentar a complexidade da gestão de ativos e ampliar desigualdades entre as instituições. O cenário sugere que os grandes bancos poderão sair ganhando em termos de lucratividade, enquanto os bancos de porte médio encaram maiores desafios para captar recursos e manter margens competitivas, especialmente em um ambiente de juros elevados.
O que muda na prática
- Reestruturação das regras de aplicação de recursos da poupança para o financiamento imobiliário. A redução de compulsórios terá efeito gradual, buscando permitir maior liberdade de aplicação em operações mais rentáveis.
- Nova flexibilidade para os bancos utilizarem fontes de captação, como LCIs e LIGs, sem comprometer o volume de crédito imobiliário, o que pode favorecer crédito em determinadas linhas de atuação.
- A eliminação progressiva da exigência de destinar 20% da poupança para compulsórios, mantendo a necessidade de equilíbrio entre concessões de crédito e captação de recursos por outras vias.
- Possível maior foco dos bancos em segmentos de crédito diferentes do imobiliário, para compensar a redução de rentibilidade em financiamentos habitacionais ante o cenário de juros mais elevados.
Impacto por porte de instituição
Segundo a análise, os grandes bancos deverão aproveitar vantagens de escala e diversificação para sustentar lucratividade, enquanto instituições de médio porte poderão enfrentar maior dependência de captações no mercado e margens mais estreitas. A avaliação ressalta ainda a importância de disciplina regulatória para manter o equilíbrio entre risco e retorno.
Regulação, FGTS e financiamento
As medidas também trazem implicações para o financiamento com recursos do FGTS. A Fitch aponta que restrições no saque-aniversário podem reduzir a originação de crédito no segmento. Por outro lado, o aumento do teto de financiamento pode estimular atuação em faixas de renda médias e mais altas. A viabilidade dessas mudanças dependerá da capacidade dos bancos de estruturar fontes de captação competitivas e de manter o apetite dos investidores por instrumentos imobiliários, especialmente em um cenário de juros elevados.
Perspectivas e contexto
A agência de classificação ressalta a necessidade de disciplina regulatória, destacando que bancos grandes devem consolidar ganhos de escala, enquanto os menores poderão ficar mais vulneráveis a custos de captação e margens reduzidas. Em suma, as mudanças devem exigir maior rigor na gestão de ativos e na captação de recursos, com impactos assimétricos entre instituições de diferentes portes.
Os analistas destacam que, mesmo com o impacto neutro nos ratings, o novo modelo elevará a complexidade de gestão de ativos e exigirá ajustes estratégicos por parte das instituições financeiras.
Fonte: Fitch Ratings