Fazenda atualiza inflação: o que muda?
By Iris Andrade
Inflação para 2025 é ajustada para 4,8% pelo Ministério da Fazenda
A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda revisou a projeção da inflação para 2025, fixando o IPCA em 4,8% em vez dos 4,9% divulgados anteriormente. O ajuste foi detalhado no Boletim Macrofiscal divulgado recentemente.
Por que houve a revisão?
Segundo o relatório, o recuo na estimativa decorre do contexto global de excesso de oferta de bens, impulsionado por reajustes de tarifas comerciais. O documento aponta também a queda da inflação no setor atacadista agropecuário e na indústria, além dos efeitos defasados da valorização do real como fatores que contribuíram para a revisão.
- Excesso de oferta de bens no cenário internacional, com tarifas comerciais mais altas
- Inflação mais baixa no atacado agropecuário e na indústria
- Efeitos diferenciados da valorização do câmbio ao longo do tempo
Impactos previstos para tarifas de energia
O boletim considera ainda a aplicação da bandeira amarela nas tarifas de energia elétrica em dezembro, o que pode influenciar a trajetória da inflação no curto prazo. A projeção indica que o IPCA permanece acima do teto da meta para o ano, que é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, definindo um intervalo entre 1,5% e 4,5% para 2025.
Perspectivas para 2026
Para 2026, a SPE estima o IPCA em 3,6%, com projeção de convergência para o centro da meta a partir de 2027.
Demais índices econômicos
O INPC, referência para salários e aposentadorias, segue estimado em 4,7%. O IGP-DI, que abrange atacado, construção civil e consumo, foi revisado de 4,6% para 2,6% neste ano, refletindo a sensibilidade aos preços no atacado e às oscilações cambiais.
Panorama do crescimento
A previsão de expansão do PIB para 2025 foi ajustada de 2,5% para 2,3%. O boletim aponta desaquecimento da atividade no segundo trimestre, com desaceleração na indústria de transformação, na construção e nos serviços públicos. Na demanda, o consumo das famílias e os investimentos recuaram, levando a revisões setoriais: o PIB da indústria caiu de 2,0% para 1,4%, enquanto serviços permaneceu em 2,1%. O PIB agropecuário subiu de 7,8% para 8,3%, sustentado pela maior produção de milho e algodão e pelo abate de bovinos, com impactos das tarifas adicionais dos EUA amortecidos pelo Plano Brasil Soberano.
Conclusão
Especialistas destacam que o cenário continua sensível a choques externos e à evolução do crédito diante de juros elevados. O governo deve acompanhar de perto a trajetória da inflação rumo ao centro da meta nos próximos anos, ajustando políticas quando necessário.
Fonte: Congresso em Foco