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Falta de mão de obra: educação em risco

By Iris Andrade

Falta de mão de obra no Brasil aponta falhas na educação

Durante o 12º Summit da Construção Civil, especialistas destacaram a escassez de profissionais qualificados como sintoma de problemas estruturais no ensino brasileiro, impactando não apenas o setor da construção, mas também outras áreas estratégicas da economia.

O pesquisador Fernando Schüler, cientista político, curador do projeto Fronteiras do Pensamento e professor do Insper, afirmou que a dificuldade é resultado de uma política educacional ineficiente. Segundo ele, a mão de obra qualificada é um problema clássico no país, agravado pela qualidade da educação pública estatal.

É evidente que a mão de obra se trata de um problema clássico no Brasil. A gente não enfrenta um problema clássico de geração, de produção, de formação de capital humano, porque a nossa educação pública estatal é de péssima qualidade.

Para fundamentar a avaliação, Schüler recorre a dados do Pisa, avaliação internacional aplicada pela OCDE. O teste, realizado a cada três anos, mede o desempenho de estudantes de 15 anos em Literatura, Ciências e Matemática, com notas que vão de zero a mil.

  • Literatura: 403 em 2022, contra 405 em 2009
  • Ciências: 410 em 2022, contra 412 em 2009
  • Matemática: 379 em 2022, contra 386 em 2009

Segundo o cientista político, os resultados de 2022 estão próximos dos níveis observados em 2009, com leve queda — o que indica estagnação educacional ao longo de mais de uma década. Ele ressaltou que essa situação é uma responsabilidade coletiva de prefeituras, estados, União e da sociedade, e que o tema deveria ser tratado como urgente, o que, na prática, nem sempre acontece.

Schüler enfatizou ainda que a estagnação não é apenas uma preocupação educacional, mas um entrave à competitividade do país, dificultando a formação de capital humano necessário para manter obras públicas e privadas em andamento, bem como para impulsionar setores como indústria, tecnologia e serviços.

O diagnóstico reforça a necessidade de ações coordenadas entre níveis de governo e sociedade para fortalecer educação técnica, formação profissional e incentivos à qualificação de trabalhadores em áreas críticas para o Brasil.

Fonte: A Tribuna

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