Empresas mostram aumento na dívida e preocupam o mercado
By Iris Andrade
Economia de 2025 permanece robusta no primeiro trimestre
Durante os primeiros três meses de 2025, a economia brasileira demonstrou sinais de resistência, com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo 2,9% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Este crescimento foi impulsionado principalmente pelo setor agrícola, que apresentou uma alta de 10,2%, conduzida pelo início da colheita da safra recorde de soja. Além disso, as atividades industriais e de serviços também contribuíram, com avanços de 2,4% e 2,1%, respectivamente.
Contudo, especialistas do Banco Safra alertam que o término da colheita e os efeitos tardios das políticas monetárias mais restritivas podem reduzir a demanda doméstica ao longo do restante do ano, refletindo uma perspectiva de contenção do consumo interno.
Mercado de capitais se mantém aquecido apesar das incertezas
Em um cenário de juros elevados e incertezas econômicas, as empresas continuam recorrendo ao mercado de capitais para obter recursos. Essa estratégia tem sido fundamental para a rolagem de dívidas e fortalecimento do caixa, no curto e médio prazos.
- Emissão de títulos privados; no primeiro trimestre de 2025, as emissões de debêntures, CRAs e CRIs atingiram um patamar recorde de R$120 bilhões, representando um aumento de 19,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
- Internacionalização; as emissões no mercado externo também tiveram destaque, totalizando US$11,2 bilhões, uma alta de 25,6% comparado ao primeiro trimestre de 2024.
Endividamento das empresas segue em alta
Dados do Banco Safra revelam que 77% das empresas sob sua cobertura aumentaram seus níveis de endividamento no primeiro trimestre de 2025 em relação ao mesmo período de 2024. A alavancagem média subiu para 2,8x, frente a 2,7x no final de 2024 e 2,1x no início do ano passado.
Esse aumento no endividamento, aliado a custos mais elevados de financiamento, tem causado impactos negativos nas métricas financeiras das companhias. A capacidade de realizar novos refinanciamentos e o desempenho operacional das empresas serão fatores determinantes para os próximos trimestres.
Setores em destaque e seus desafios
No segmento de concessões e infraestrutura, empresas como Arteris, Ecorodovias e Motiva demonstraram resultados positivos, impulsionadas pelo aumento do tráfego de veículos pesados e pelos reajustes tarifários. Ainda assim, há preocupação com o elevado volume de investimentos planejados para os anos seguintes e os possíveis efeitos de um arrefecimento na atividade econômica no segundo semestre.
No setor de imóveis, ações do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) e operações de repasse de preços asseguraram boas margens operacionais, mesmo diante de juros altos. Destacam-se empresas como Auren e BRF, que mantêm forte geração de caixa, além de planos para AS operation de incorporações que buscam ampliar a rentabilidade.
Desempenho setor por setor
Grãos e setor sucroalcooleiro
- Boa produtividade na soja do Centro-Oeste e maior estabilidade nos custos favorecem as margens das usinas de etanol.
- Risco:Climas adversos na região Sul podem prejudicar a produção agrícola.
Energia elétrica
- Perspectiva positiva para renovação de concessões e melhoria operacional.
- Risco:Resultados frágeis na geração renovável devido a cortes na produção e mudanças no mercado de comercialização, além da redução de volumes no mercado cativo.
Mercado imobiliário
- Incentivos de crédito e o programa MCMV mantêm alta a velocidade de vendas e reduzem estoques, apesar dos juros elevados.
- Risco: Custos crescentes e possíveis atrasos nos repasses podem pressionar margens.
Locação de veículos
- Demanda elevada por frotas de empresas e menor pressão por expansão de frota total.
- Risco: Redução da demanda no segmento de aluguel de carros e aumento na alavancagem financeira.
Proteína animal
- Demanda global e preços mais altos de aves e suínos fortalecem o segmento.
- Risco: Preços elevados de gado e milho podem pressionar as margens, além de impactos temporários nas exportações devido à gripe aviária.
Saúde
- Margens das seguradoras se recuperam, enquanto a demanda por diagnósticos cresce.
- Risco: Revisões de carteiras, alta de alavancagem e mudanças regulatórias podem afetar a rentabilidade.
Essas informações destacam a resiliência de diversos setores, mesmo diante de um quadro de juros altos e incertezas econômicas, reforçando a importância da gestão financeira eficiente e do acompanhamento contínuo do mercado. As empresas que conseguirem manter a adaptação poderão navegar com maior segurança pelos próximos meses.
Fonte: Banco Safra