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Edge mira no Brasil: nova Embraer?

By Iris Andrade

Edge Group mira Brasil para erguer novo polo aeroespacial de defesa

O Edge Group, conglomerado global de tecnologia bélica sediado em Abu Dhabi, sinalizou a intenção de transformar o Brasil em um eixo estratégico de inovação e produção no setor de defesa, com o objetivo de criar uma unidade semelhante à Embraer no segmento aeroespacial voltado para defesa.

Conduzido pelo executivo Hamad Al Marar, o grupo já investiu no Brasil por meio da aquisição de participação em empresas nacionais, como SIATT (51%) e Condor (50%), em um movimento avaliado em bilhões de reais. A estratégia passa pela captação de talentos brasileiros em engenharia, com a aspiração de estabelecer no país um hub industrial dedicado à produção e exportação de soluções avançadas.

Estratégia e presença no Brasil

  • O Brasil é visto como fonte abundante de engenheiros qualificados, além de oferecer geografia e fuso horário favoráveis para operações globais.
  • O Edge pretende desenvolver tanto software quanto soluções de IA e expandir capacidades na área aeroespacial voltada à defesa, com a ideia de replicar o modelo Embraer em escala ampliada.
  • A atuação no Brasil já inclui a aquisição da SIATT (51%), para complementar investimentos em mísseis antinavio, e a aquisição da Condor (50%), que permitirá exportação por meio das instalações no Oriente Médio.

Resultados e metas de longo prazo

O grupo reporta faturamento próximo a US$ 5 bilhões, com cerca de 53% da carteira de clientes atendida por exportações. A participação da América Latina nas receitas fica abaixo de 5%.

Entre as linhas de atuação, o Edge enfatiza a transferência de conhecimento e capacidades de segurança, já promovendo provas de conceito em cidades brasileiras como São Paulo e Rio de Janeiro. Embora não haja contratos ativos de combate ao tráfico no momento, as provas visam converter-se em oportunidades contratuais futuras.

Aplicações para o Brasil e presença internacional

As tecnologias do Edge podem encontrar aplicação no Brasil em drones de reconhecimento para inspeção de infraestrutura crítica (energia e gasodutos), vigilância na Amazônia e coleta de informações ambientais. Além disso, o grupo mantém interesses em ampliar capacidades para portos, imóveis, turismo e segurança alimentar.

No cenário internacional, a Edge destaca contratos e parcerias na Europa Oriental e ocidental — Estônia, Polônia, Suíça e Alemanha — bem como joint ventures com empresas italianas, francesas e espanholas. O objetivo é ampliar o reconhecimento de suas soluções pela OTAN e consolidar o Brasil como hub estratégico de exportação.

Fonte: Folha de São Paulo

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