Dobro ou nada: Quais ações subiram forte na bolsa
By Iris Andrade
Resumo da atuação de 2025 na bolsa brasileira
Em 2025, doze ações negociadas na B3 registraram valorização superior a 100% até 2 de outubro. O desempenho chamou atenção, principalmente por ocorrer em um ano de recuperação ainda frágil para o mercado, com a construção civil e o setor de educação liderando as maiores altas. Dados da Elos Ayta indicam que o grupo de vencedores foi pequeno frente ao universo de mais de 400 ações listadas.
Desempenho fora da curva
O conjunto de ganhos expressivos aponta para uma concentração de oportunidades em setores de maior risco e potencial de crescimento. Entre as 12 ações que dobraram de preço, 10 pertencem ao grupo Small Caps (empresas de menor valor de mercado com maior potencial de crescimento). Além disso, três dessas ações integram o Ibovespa, duas constam no IDIV (índice de dividendos) e duas não pertencem a nenhum dos principais índices, revelando um ciclo de mercado em que vale buscar valor fora dos nomes mais tradicionais.
Construção civil e educação dominam a lista
O radar de 2025 mostrou uma representação significativa de incorporadoras, com cinco nomes predominando entre as maiores altas: Helbor, Moura Dubeux, Tenda, Lavvi e Cury. Em paralelo, o segmento de serviços educacionais contou com Cogna, Ser Educacional e Ânima entre as campeãs.
- Incorporadoras de destaque: Helbor (HBOR3), Moura Dubeux (MDNE3), Tenda (TEND3), Lavvi (LAVV3) e Cury (CURY3).
- Educação: Cogna (COGN3), Ser Educacional (SEER3) e Ânima (ANIM3).
- Outros setores representados: Aura 360 (AURA33) no setor de metais, Movida (MOVI3) no aluguel de veículos, e Serena (SRNA3) no segmento elétrico.
As maiores altas do ano (top 5 e próximos)
A liderança ficou com Cogna, que subiu quase 198% no período, seguida por Helbor com pouco menos de 179% e Aura 360 com aproximadamente 173%. Moura Dubeux e Ser Educacional completaram o grupo das cinco maiores altas, com ganhos de cerca de 168,5% e 150,7%, respectivamente. Em seguida, Movida teve alta de aproximadamente 146,6%, e Serena, de cerca de 124,6%.
Liquidez: um ponto de atenção
Apesar dos retornos expressivos, algumas campeãs apresentam liquidez abaixo da média do mercado, o que pode representar risco para investidores institucionais. Em média, Helbor (HBOR3) negocia pouco acima de R$ 3,1 milhões por dia; Ser Educacional (SEER3) registra cerca de R$ 5,6 milhões diários e Lavvi (LAVV3) around R$ 6,5 milhões.
O que esses dados revelam sobre o mercado em 2025
A diferença entre o desempenho dessas ações e o Ibovespa — que avançou cerca de 19,7% no mesmo período — aponta para uma bolsa com foco em oportunidades concentradas. Enquanto o Ibovespa reflete o comportamento médio das grandes empresas, o alfa surge em setores menos óbvios, em empresas em turnaround ou em ciclos setoriais de alta.
A presença de dez dessas ações no índice Small Caps sugere que o atual ciclo favorece empresas menores e mais sensíveis à melhora econômica e ao apetite por risco. O estudo da Elos Ayta reforça a ideia de que os maiores retornos não costumam ficar nos nomes mais populares ou nos grandes protagonistas do Ibovespa; o prêmio fica para quem encontra valor fora do radar, em setores com ciclos ascendentes e em empresas vistas a partir de bases de preço mais deprimidas.
Se o ritmo atual se mantiver, essas 12 ações podem encerrar o ano com ganhos históricos, oferecendo um estudo de caso sobre como, mesmo em um mercado de alta moderada, a seleção criteriosa de ativos pode transformar um ano bom em um ano excepcional para investidores.
Fonte: Money Times