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Distrito de inovação transforma o Centro de Goiânia

By Iris Andrade

Goiânia aposta na criação de distrito de inovação para revitalizar o centro da cidade

Após anos de tentativas frustradas e uma crescente deterioração, o coração de Goiânia pode receber uma nova abordagem para sua revitalização. Ao contrário de projetos anteriores focados apenas na reforma de prédios históricos, o Estado está planejando a implantação de um distrito de inovação e inteligência artificial, com o objetivo de transformar a região em um polo para startups, universidades e investidores.

Esse ambicioso projeto, coordenado pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) em parceria com o Porto Digital de Recife e o Hub Goiás, ainda está em fase de estudos, mas já tem despertado interesse no setor de tecnologia e inovação. A proposta visa transformar uma área marcada por abandono e problemas urbanos em um ambiente propício à inovação, com potencial para gerar novas oportunidades econômicas e sociais.

Inspirado no sucesso do Porto Digital de Recife

A iniciativa busca replicar o modelo bem-sucedido do Porto Digital de Recife, que há mais de duas décadas conseguiu transformar uma área historicamente degradada em um centro tecnológico reconhecido mundialmente, com receitas próximas a R$ 700 milhões anuais provenientes de startups e empresas de tecnologia.

Para isso, especialistas como Cláudio Marinho, engenheiro responsável pelo Porto Digital, e Sílvio Meira, presidente do conselho de administração do Porto e professor da UFPE, estão contribuindo com a adaptação do projeto para o contexto goiano, evitando repetir erros do passado.

Hub Goiás assume papel de líder no ecossistema local

O Hub Goiás, localizado no Setor Leste Universitário, vem desempenhando um papel fundamental na articulação do ecossistema de inovação na cidade. Em seu primeiro ano de funcionamento, já apoiou a criação de 123 novos negócios inovadores e sediou mais de 300 eventos, consolidando-se como o principal centro público de empreendedorismo de alta tecnologia na Região Centro-Oeste.

Segundo Jade Caiuá Campos Lemos, líder de inovação do Hub, o projeto busca promover a integração entre governo, sociedade civil, setor privado e universidades, adotando a teoria das “quádruplas hélices”. Através de um trabalho de mapeamento, já identificaram-se vários atores e recursos que poderão impulsionar o futuro distrito.

Localização estratégica e potencial de diversificação econômica

Embora o projeto ainda não tenha uma data certa para sua implantação, já está definido que o distrito abrangerá o centro histórico, devido às suas vantagens logísticas e econômicas. A região concentra linhas de transporte importantes, universidades, órgãos públicos e pontos de decisão. Além disso, sua infraestrutura histórica e cultural oferece um ambiente diferenciado para iniciativas de tecnologia e criatividade.

Entre as empresas interessadas, destaca-se a Morada.ai, startup especializada em inteligência artificial aplicada ao setor imobiliário. Com um investimento de R$ 6 milhões, a companhia já estabeleceu Goiânia como um de seus principais centros de operação, atendendo mais de 100 mil clientes mensalmente. De acordo com Luís Veloso, COO da empresa, o crescimento de negócios tecnológicos locais é vital para diversificar a economia tradicional de Goiânia, que é fortemente baseada no agronegócio e na construção civil.

Valorização do centro histórico e fortalecimento das universidades

Apesar dos desafios de degradação urbana, o centro histórico oferece vantagens estratégicas por sua localização e infraestrutura urbana consolidada. Lá, convivem linhas de transporte público, universidades, órgãos públicos e equipamentos culturais, formando um ambiente propício ao desenvolvimento de um distrito criativo e tecnológico.

A proximidade com a Universidade Federal de Goiás (UFG) também é vista como fator de diferencial competitivo. A universidade oferece cursos de alta demanda, como o de Inteligência Artificial, além de capacidade de pesquisa e desenvolvimento que favorece a inovação aberta. Assim, a articulação academia-mercado é essencial para transformar pesquisas acadêmicas em soluções comerciais.

Desafios na participação municipal e lições do passado

Apesar da parceria entre governo estadual e setor privado, a participação da Prefeitura de Goiânia ainda é incerta. A Secretaria Municipal de Inovação foi consultada, mas não detalhou suas ações específicas para o distrito. Especialistas alertam que essa falta de integração pode limitar o sucesso do projeto, repedindo problemas de antigas iniciativas que não alcançaram os resultados desejados.

Historicamente, vários esforços de revitalização foram realizados na cidade, com resultados pouco expressivos. A presença mais ativa do poder municipal é considerada fundamental para a definição de regras de zoneamento, incentivos fiscais e políticas de estímulo às empresas de tecnologia.

Expectativas e obstáculos rumo ao futuro

Embora haja otimismo com a iniciativa, especialistas ressaltam a necessidade de cautela, dada a história de tentativas frustradas de revitalização. Segundo Jade Caiuá, o sucesso depende de uma articulação contínua entre diversos atores e de uma estratégia que priorize a ocupação econômica diante do potencial urbanístico do centro.

O projeto já conta com etapas concretas, como a delimitação do espaço, o mapeamento de stakeholders e a realização de entrevistas com líderes locais. Se todas as peças fundamentais se encaixarem, Goiânia pode se tornar uma referência nacional em inovação urbana, consolidando uma nova era de desenvolvimento, mais sustentável, inclusiva e inteligente.

Fonte: Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Goiás, Hub Goiás, especializadas em inovação urbana e experiências do Porto Digital de Recife.

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