Distrito de inovação promete transformar o Centro de Goiânia
By Iris Andrade
Goiânia busca revitalizar seu centro histórico com foco em inovação tecnológica
Após décadas de tentativas frustradas de revitalização, o centro de Goiânia pode ganhar uma nova configuração que prioriza o desenvolvimento de um ecossistema de inovação. A proposta, que ainda está em fase de estudos, visa transformar uma área de grande valor histórico, mas marcada por problemas de degradação, em um polo de startups, universidades e empresas de tecnologia.
O projeto emergiu da parceria entre a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), o Porto Digital de Recife e o Hub Goiás. A iniciativa pretende criar um distrito de inovação e inteligência artificial, buscando uma abordagem diferente das tentativas anteriores de revitalização, que concentraram-se somente na reforma de prédios e praças.
Base na experiência do Porto Digital
Inspirado pelo sucesso do Porto Digital de Recife, que há mais de 20 anos transformou uma antiga área degrada em um centro reconhecido internacionalmente, o projeto em Goiânia conta com o apoio de especialistas como Cláudio Marinho, engenheiro responsável pelo Porto Digital, e Sílvio Meira, presidente do conselho daquele parque tecnológico.
A estratégia é reunir empresas de base tecnológica, centros de pesquisa e startups em uma região específica, promovendo uma nova dinâmica urbana voltada para inovação.
Hub Goiás: coordenador do ecossistema local
O Hub Goiás, localizado no Setor Leste Universitário e atuando há um ano, consolidou-se como principal impulsionador do movimento, tendo apoiado mais de 120 negócios inovadores até agora, além de realizar centenas de eventos.
Jade Caiuá Campos Lemos, líder de inovação do Hub, afirma que o projeto representa uma combinação de esforços de políticas públicas, planejamento urbano e parcerias entre setor público e privado. Ela também liderou o primeiro mapeamento do ecossistema local, um trabalho considerado pioneiro no Brasil.
O método adotado para o desenvolvimento do distrito se apoia na teoria da “quádrupla hélice”, que visa integrar o governo, sociedade civil, empresas e universidades em uma estratégia conjunta, buscando fortalecer a inovação regional.
Valorização do centro histórico
Apesar das dificuldades relacionadas à degradação urbana, a localização do centro histórico oferece vantagens logísticas e econômicas, como acesso a linhas de transporte público, universidades e órgãos públicos em sua proximidade.
Além disso, ela apresenta uma infraestrutura consolidada, que diminui o custo de revitalização e viabiliza a instalação de novas atividades econômicas. A região, com seu rico patrimônio cultural e suas instituições, será transformada em um verdadeiro “laboratório urbano”, onde startups poderão testar soluções em ambiente real, colaborando com centros acadêmicos e órgãos públicos.
Importância da conexão com a academia
A Universidade Federal de Goiás (UFG) desempenha papel fundamental na estratégia do distrito, especialmente pelo crescimento do seu curso de Inteligência Artificial, que atrai cada vez mais estudantes e profissionais formados na área.
A relação entre academia e mercado é vista como ponto chave para a inovação sustentável. Recursos de pesquisa e desenvolvimento, que muitas vezes ficam limitados às universidades, terão uma oportunidade de serem aplicados na prática, impulsionando a criação de soluções comerciais e fortalecendo o ambiente de inovação local.
Participação da prefeitura e desafios históricos
Apesar do empenho do governo estadual e do setor privado, a participação da prefeitura de Goiânia ainda não foi oficializada, o que suscita dúvidas sobre o alinhamento de ações e políticas públicas essenciais para o sucesso do projeto.
Historicamente, a cidade tentou diversas iniciativas ao longo de 25 anos para revitalizar o centro, como o projeto Cura na década de 1990, o Monumenta em 2000, o Goiânia 21 em 2010 e a Operação Urbana de 2018, todas com resultados insuficientes.
Para avançar, a cooperação entre diferentes esferas de governo será fundamental, especialmente para lidar com questões de zoneamento, licenciamento e incentivos fiscais, que são obstáculos históricos à instalação de novas empresas.
Expectativas e obstáculos futuros
Embora o entusiasmo seja grande, especialistas alertam que o sucesso dependerá da continuidade do esforço colaborativo e da superação de desafios burocráticos e políticos.
O projeto aposta na inovação como motor de transformação urbana, que deve promover não só a geração de riquezas, mas também inclusão social e melhoria na qualidade de vida. A fase inicial inclui delimitação do espaço, mapeamento de atores relevantes e coleta de dados estratégicos, com previsão de avanços que possam transformar Goiânia em um modelo nacional de inovação urbana.
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