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Descubra o melhor investimento da primavera

By Iris Andrade

Ouro e imóveis lideram ganhos de setembro, em meio a incertezas globais e juros estáveis

Investidores renovaram posições em dois dos setores mais tradicionais do mercado, registrando os maiores ganhos do mês. O ouro ficou no topo, seguido pelo índice de ações do setor imobiliário da B3.

Ouro registra forte valorização em setembro

O metal amarelo avançou 9,28% no mês, acompanhando renovação de recordes no mercado internacional, com o preço encerrando em US$ 3.840,8 por onça-troy. No acumulado do ano, a alta já soma 26,43%.

De acordo com Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, a escalada do ouro está fortemente ligada ao contexto global. Em um cenário de segundo mandato de Donald Trump e de desconfiança fiscal sobre os EUA, investidores e bancos centrais passaram a reforçar posições em ativos considerados mais seguros.

“O ouro historicamente se valoriza em momentos de tensão geopolítica e incerteza fiscal. Nos últimos anos, bancos centrais têm aumentado suas compras como alternativa diante do risco da dívida americana e da perda de confiança no dólar como porto seguro absoluto”, afirma Cruz. Além disso, o endividamento elevado de economias centrais, como EUA e França, intensifica a busca por proteção em ativos reais.

Índice ImOB avança com perspectivas locais

O IMOB, índice que reúne as ações do setor imobiliário negociadas na B3, registrou alta de 6,6% em setembro e acumula valorização de 66,5% de janeiro até agora, sendo o investimento com maior retorno no ano.

Segundo Cruz, o desempenho mensal não teve apenas gatilhos macro. “A curva de juros, apesar de sinalizar alta para o curto prazo, mostra alívio nos prazos mais longos, o que favorece o financiamento e a precificação de empresas ligadas ao setor imobiliário”, explica.

Entre os fatores locais que ajudam o setor, estão expectativas em alterações no programa Minha Casa Minha Vida. Em debate, há possibilidade de elevar o teto de imóveis enquadrados no programa e ampliar a renda das famílias elegíveis, medidas que poderiam destravar demanda.

Contexto de política monetária e cenário de demanda

No âmbito da política monetária, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic em 15% ao longo de setembro, reforçando o discurso de controle da inflação no mercado interno. Especialistas veem uma possível mudança de rumo apenas no próximo ano.

Apesar das trajetórias distintas, ouro e imóveis compartilham o atrativo de ativos tradicionais em tempos de incerteza. O ouro funciona como proteção global diante das fragilidades fiscais de grandes economias, enquanto o mercado imobiliário local se apoia na resiliência do ambiente doméstico e em políticas públicas que possam ampliar a demanda.

Flores — Foto: GettyImages

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Fonte: Valor Investe

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