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Descubra o custo de ser dono de uma fração de resort secreto

By Iris Andrade

Multipropriedade de resorts no Brasil chega a bilhões de reais e amplia alcance entre litoral e serra

Um modelo de aquisição de imóveis de lazer em destinos turísticos tem ganhado força no Brasil: a multipropriedade, que permite comprar uma fração de um resort e usar o imóvel em períodos contratados. O segmento cresce mesmo após a pandemia, expandindo-se para dezenas de empreendimentos em várias regiões do país e atraindo famílias de classe média e média alta.

Panorama e números recentes

  • Em 2025, o mercado já registra centenas de empreendimentos distribuídos em dezenas de cidades, com forte presença no Nordeste, Sudeste e Sul.
  • O Valor Geral de Vendas (VGV) do setor atingiu números expressivos: quase R$ 80 bilhões entre os anos de 2023 e 2024, com crescimento relevante frente ao ciclo anterior.
  • A oferta de unidades tem crescido especialmente na região Sul, que mostrou avanço significativo na disponibilidade de imóveis para multipropriedade.

Quem compra e onde

Os compradores costumam vir de grandes capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, mas há cada vez mais clientes regionais interessados em diversificar férias e ter acesso a imóveis de lazer de alto padrão. Destinos tradicionais de praia convivem com opções de serra, como Gramado (RS), Canela (RS) e Penha (SC), além de cidades do interior como Olímpia (SP) e Caldas Novas (GO), que já figuram entre as opções.

Como funciona

Ao adquirir uma fração, o consumidor recebe matrícula em cartório e escritura, com direito de uso por um período previamente contratado. O contrato pode prever opções de aluguel quando a semana não for utilizada, bem como a troca de diárias por meio de redes de resorts parceiras, como operadoras internacionais. O custo inclui IPTU, condomínio e tributos proporcionais às semanas adquiridas.

Mercado e players

Empresas do setor destacam o potencial de crescimento e a busca por profissionalização. Um exemplo citado é o portfólio de resorts que já movimenta bilhões de reais, com empreendimentos em construção e operações em várias regiões do país. Operadoras que atuam no segmento ressaltam a premissa de manter ocupação estável ao longo do ano e oferecer uma experiência completa, com serviços de spa, academia e opções de lazer para famílias.

Preços e perspectivas

Os preços variam conforme o destino e a infraestrutura disponível. Em locais com parques aquáticos e atrações, as frações podem exigir valores mais elevados, refletindo a demanda e o potencial de valorização. Mesmo em cenários de crédito restrito, a modalidade tende a apresentar parcelas mais flexíveis, com opções de parcelamento que podem chegar a vários anos, ajustados por índices de inflação.

Comparação com outros formatos

Especialistas destacam a diferença entre multipropriedade, timeshare e aluguel por temporada. Enquanto o timeshare oferece uso por contrato sem escritura, a multipropriedade assegura matrícula e escritura proporcionais ao tempo adquirido. O aluguel por temporada envolve pagamento pontual sem vinculação de longo prazo. O titular de fração, portanto, passa a ter um patrimônio com base legal, com possibilidade de venda, aluguel ou herança.

Desafios e orientações para compradores

O setor ainda enfrenta ruídos sobre compreensão do modelo. Profissionais da área recomendam checar o histórico da incorporadora, a reputação da operadora hoteleira e se o projeto está afiliado a clubes de intercâmbio. A multipropriedade é apresentada como produto de uso planejado para férias, não como investimento especulativo sujeito a garantias de rentabilidade sem aprovação regulatória.

“Ao adquirir uma fração imobiliária, o comprador se torna proprietário legal, com direito de uso vitalício, podendo vender, alugar, emprestar ou deixar como herança. Um patrimônio real, com escritura e segurança jurídica”, aponta um executivo do setor.

Além disso, especialistas destacam a necessidade de manter a pressão por profissionalização do setor e de facilitar o acesso a linhas de crédito, especialmente diante de juros elevados. Com a continuidade de lançamentos, o mercado de multipropriedade tende a se firmar como uma opção viável para quem busca experiências de lazer com planejamento financeiro estável.

A reportagem de campo acompanhou operações em resorts de referência e ouviu executivos de empresas do setor, reforçando o movimento de consolidação e expansão deste modelo no Brasil.

Fonte: Folha de S.Paulo

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