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Descubra o Ateliê de Tebas na CASACOR BA do arquiteto João Gabriel

By Iris Andrade

Arquiteto João Gabriel participa da CASACOR Bahia com projeto que destaca a memória da arquitetura negra

O arquiteto João Gabriel, conhecido por sua trajetória de mais de 120 projetos realizados em 17 estados brasileiros e em três países, foi destaque na edição de 2025 da CASACOR Bahia. Durante o evento, que ocorre até 7 de setembro no bairro das Merês, em Salvador, ele apresentou o ambiente intitulado O Ateliê de Tebas.

A proposta do espaço é reforçar a memória e a história da arquitetura negra no Brasil. Inspirado pela vida de Tebas, homem negro, escravizado, responsável por importantes obras coloniais, o projeto traz elementos de estética retrofuturista, com predominância de madeira escura, curvas, cores profundas e uma biblioteca cenográfica que remete a rádios antigos. A ambientação valoriza marcas do próprio tempo, evidenciando marcas de uso como parte da narrativa, e incorpora objetos de antiquário junto a mobiliário contemporâneo.

João Gabriel compartilhou com exclusividade sua perspectiva sobre a presença da arquitetura negra no maior evento de design e arquitetura do país. Segundo ele, espaços como a CASACOR representam uma oportunidade de reafirmar o legado e a importância de profissionais negros na área.

Legado de Tebas e a importância de narrativas negras na arquitetura

Responsável por fachadas emblemáticas, como as do Mosteiro de São Bento e da Igreja das Chagas do Seráfico Pai São Francisco, Tebas foi uma figura ímpar na arquitetura colonial de São Paulo. Escravizado, porém com uma visão singular, destacou-se na escultura de fachadas com pedra de cantaria, superando escassez de materiais na época. Sua história, marcada por resistência e talento, serve de inspiração para o projeto de João Gabriel, que busca reposicionar narrativas e valorizar a história negra na arquitetura brasileira.

O conceito do espaço

O Ateliê de Tebas funciona como um verdadeiro laboratório de criação, guiado por uma estética que combina elementos nostálgicos e futuristas. Materiais como ladrilhos, paredes de adobe e madeira preservada compõem um ambiente que estimula a imaginação e o diálogo entre passado e presente. Cuidadosamente curado, o espaço mistura objetos de antiquário com tecnologia de ponta, como notebooks de alta performance, evidenciando a força da criatividade no presente.

Dentro do ambiente, obras de artistas negros contemporâneos, como Emerson Rocha, Rynnard e Elson Júnior, além de um mural assinado por João Gabriel que homenageia arquitetos negros atuais ao lado de Tebas, reforçam a narrativa de resistência eMEMORIA visual e cultural.

Reflexões de João Gabriel

“Sonhar é um ato coletivo, e nossa história de resistência precisa ser reafirmada em espaços como a CASACOR. Nosso legado deve estar presente, celebrando a força da arquitetura negra e suas contribuições,” afirma o arquiteto.

Quem é João Gabriel?

Arquiteto e urbanista, João Gabriel também é artista 3D, empresário e criador da mentoria Sala Preta, voltada à formação de jovens arquitetos negros. Seu trabalho valoriza a representatividade e o protagonismo negro na arquitetura e no mercado de projetos.

Reconhecido pela revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios, João Gabriel utiliza suas redes sociais para desmistificar a arquitetura, compartilhando dicas e promovendo acessibilidade ao conhecimento na área.

O legado de Tebas na história da arquitetura

João Gabriel relembra a trajetória de Tebas, nascido em 1721 na Vila de Santos, que se destacou por sua habilidade na ornamentação de fachadas coloniais com pedra de cantaria, raridade na sua época. Seus trabalhos permanecem como exemplos de resistência e talento, com contribuições marcantes na arquitetura colonial paulista, como a fachada do Mosteiro de São Bento e da Igreja das Chagas.

A Casa Nossa Senhora das Mercês, onde a exposição foi instalada, continua aberta ao público até o dia 7 de setembro. A presença de profissionais negros na CASACOR Bahia, assim como nas demais edições do evento, reforça a valorização de múltiplas histórias e narrativas na arquitetura brasileira.

Fonte: Portal Soteropreta

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