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Descubra IPCA no ativo imobiliário digital do Mercado Bitcoin

By Iris Andrade

Mercado Bitcoin lança ativo digital lastreado em imóveis com retorno IPCA+13%

O Mercado Bitcoin (MB) anunciou nesta quarta-feira o lançamento de um ativo digital com lastro imobiliário, disponível por meio da modalidade de renda fixa digital (RFD). O novo produto é resultado de uma parceria com a Rooftop, startup de soluções imobiliárias, e oferece retorno mensal atrelado ao IPCA mais 13% ao ano.

O investimento é realizado através de títulos tokenizados, nos quais o investidor adquire o ativo e recebe o valor aplicado acrescido de juros em data futura. A operação é apresentada como uma forma de tokenização de bens reais, mantendo, porém, os riscos típicos de imóveis, como inadimplência, liquidez e avaliação independente.

Como funciona

O investidor compra um título tokenizado dentro da estrutura de renda fixa digital, recebendo o retorno ao longo do tempo. A tokenização é descrita como uma camada de ativos do Mundo Real (RWA), que facilita a negociação de bens físicos na blockchain, sem eliminar os riscos inerentes ao mercado tradicional.

Condições para acessar o retorno

Para ter direito ao retorno, é necessário aplicar em um imóvel residencial de alto padrão localizado no condomínio Quinta da Baroneza, em Bragança Paulista (SP).

Cashback em bitcoin

Até às 23h59 de hoje, a plataforma oferece até 3% de cashback em bitcoin para valores aplicados nas ofertas de Renda Fixa Digital. O cashback varia conforme o perfil do investidor:

  • Investidores recorrentes: 1% de cashback em bitcoin para aportes de até R$ 30 mil e 1,5% para valores acima desse patamar.
  • Novos investidores: 2% de cashback para aportes de até R$ 30 mil e 3% para valores superiores.

Contexto de mercado e avaliações dos especialistas

O anúncio se insere em um momento de aquecimento do setor imobiliário brasileiro, que registrou crescimento superior a 20% em 2024, segundo a CBIC. A combinação entre imóveis de alto padrão e instrumentos tokenizados é vista como uma abordagem balanceada entre riscos e retornos, com a tokenização abrindo a possibilidade de negociação fracionada de ativos de luxo.

Para Matheus Medeiros, CEO da Futokens, a tokenização representa uma camada adicional de segurança ao transformar bens físicos em ativos negociáveis na blockchain, mantendo os riscos tradicionais, como inadimplência e baixa liquidez, sob controle. Já Luiz Calado, CFP pela Planejar, aponta que inovações costumam trazer riscos, mas também oportunidades, especialmente quando há imóveis bem documentados, com avaliação independente e garantia transparente.

No cenário de juros atual, com patamares próximos de 15% ao ano, Medeiros destaca que ativos alternativos podem oferecer remunerações mais robustas do que opções tradicionais. Ele compara o retorno de IPCA+13% com referências como o Tesouro IPCA+ 2029 e CRIs de baixo risco, destacando que o prêmio está ligado à percepção de liquidez ainda em desenvolvimento no mercado de ativos digitais imobiliários.

Calado completa que a tokenização facilita a negociação de imóveis de luxo de forma fracionada, abrindo espaço para um ecossistema financeiro mais amplo no Brasil. Segundo os especialistas, o produto tende a atrair perfis moderados e arrojados, que buscam diversificação, inovação e retornos diferenciados.

Riscos e considerações finais

Apesar do lastro em imóveis de alto padrão, os riscos típicos de ativos imobiliários se mantêm, especialmente no que diz respeito à liquidez do mercado secundário e à possibilidade de variações na rentabilidade ao longo do tempo. A estrutura envolve imóveis avaliados de forma independente e adquiridos com desconto relevante em relação ao valor de mercado, com previsão de entrega pronta para gerar renda locatícia desde o início.

Para investidores mais conservadores, a proposta pode exigir avaliação cuidadosa dos prazos, da liquidez e da garantia associada ao ativo imobiliário subjacente. A combinação entre proteção contra a inflação, inovação digital e lastro imobiliário é destacada como uma porta de entrada para um ecossistema financeiro brasileiro em transformação.

Fonte: Estadão E-Investidor

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