Descubra como fica o crédito imobiliário SFH
By Iris Andrade
Crédito imobiliário ganha fôlego com mudanças no SFH e na poupança
O governo anunciou hoje mudanças no sistema nacional de crédito imobiliário com o objetivo de ampliar a disponibilidade de financiamentos habitacionais e ajustar o papel da poupança no funding. As medidas priorizam a classe média, elevando o teto do SFH e redesenhando o uso dos recursos captados pelos bancos.
Principais novidades
- Teto do SFH: o limite para imóveis enquadrados no SFH sobe de 1,5 milhão para 2,25 milhões de reais, atingindo famílias com renda superior a 12 mil reais.
- Uso do FGTS: pessoas com saldo no FGTS poderão utilizá-lo na compra do imóvel, reforçando a entrada.
- Direcionamento da poupança: a obrigação de direcionar 65% dos recursos da poupança para habitação será eliminada de forma gradual, com objetivo de modernizar o uso da poupança como fonte de crédito imobiliário.
- Depósitos compulsórios: hoje, 20% ficam como depósito compulsório no Banco Central e 15% são livres para operações mais rentáveis. A transição vai reduzir o peso do depósito compulsório e migrar parte dos recursos para o novo regime até 2027.
- Integração SFH e SFI: a quantia depositada na poupança deverá balizar o montante que bancos destinam aos financiamentos, incluindo SFH e SFI, com o objetivo de trazer previsibilidade e ampliar a oferta de crédito.
- Juros e foco social: para preservar o caráter social, 80% dos financiamentos habitacionais seguirão as regras do SFH, com juros limitados a 12% ao ano.
Como funciona na prática
No novo modelo, se uma instituição captar 1 milhão de reais no mercado e aplicar esse montante integralmente em habitação, poderá usar o mesmo valor da poupança — de custo mais baixo — para aplicações livres por período definido. A transição completa está prevista para janeiro de 2027, com a redução gradual do depósito compulsório para 15%, e 5% migrando ao novo regime ao longo do processo.
Impactos esperados
Especialistas apontam que as mudanças devem aumentar a previsibilidade, incentivar a concorrência e destravar o crédito imobiliário num cenário de juros elevados. Nos últimos anos, os financiamentos via SFH perderam espaço devido à retirada de recursos da poupança, com saques líquidos expressivos em 2023 e 2024; em 2025, os saques já somam valores significativos. O governo argumenta que quanto mais poupança é depositada, mais crédito entra no mercado.
O objetivo geral é harmonizar o SFH e o SFI, ampliando a oferta de crédito para habitação sem perder o papel social das regras do SFH.
Cronograma de implementação: as novas regras entram em transição e passam a valer plenamente em janeiro de 2027.
Fonte: Fiis.com.br