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Descubra como abrir um novo mercado no agro e vencer desafios

By Iris Andrade

Analista alerta que a perda de mercados estratégicos não pode ser compensada de forma simples, enquanto o Brasil projeta avanço na produção agroindustrial
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Carlos Cogo, fundador da Cogo Inteligência em Agronegócio, abriu o debate com um alerta direto a representantes do setor: abrir novos mercados é essencial, mas perder um grande destino de exportação é uma derrota difícil de compensar. O tema foi discutido no WTC, em São Paulo, durante a 12ª edição do Congresso Brasileiro de Fertilizantes.

É muito mais difícil compensar a perda de um mercado estruturado do que abrir destinos menores. O impacto não pode ser minimizado e precisa ser enfrentado com negociação firme e canais diplomáticos abertos.

Apesar das colocações firmes, Cogo rejeita o rótulo de crise. Segundo ele, o setor dispõe de condições para superar o momento e transformar riscos em oportunidades. Como referência do passado, ele cita o desempenho brasileiro durante a pandemia, quando as exportações passaram de US$ 100 bilhões para mais de US$ 150 bilhões, ampliando mercados em carnes, madeira, celulose, açúcar e soja.

Cenário brasileiro e uma visão setorial
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O analista destacou o peso das tensões comerciais somadas a uma transformação estrutural do agronegócio. Entre os destaques, ele apontou casos emblemáticos de cada cadeia:

– Soja: de 20 milhões de toneladas exportadas em 2000 para mais de 100 milhões em 2024, elevando a participação brasileira no comércio mundial de 30% para 56%.
– Milho: a consolidação da segunda safra elevou exportações para mais de 55 milhões de toneladas em 2024, tornando o Brasil competitivo com os EUA.
– Algodão: a participação brasileira subiu de 3% para 33% do mercado global em duas décadas, com área plantada ampliada e produtividade ampliada, o que reduziu a dependência de novas terras.
– Açúcar: o Brasil segue líder mundial, respondendo por cerca de metade das exportações globais, ainda que margens estejam mais estreitas.
– Café: a demanda da China, que hoje figura entre os maiores consumidores, influencia diretamente os estoques e a dinâmica de preços globais.

Transformações que sustentam o crescimento
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Cogo ressaltou que o crescimento foi resultado de ganhos combinados de área plantada e produtividade. Entre 1990 e 2025, a área de grãos aumentou significativamente, e a produção disparou graças a melhorias na produtividade, manejo e uso de fertilizantes. O Brasil se tornou o maior exportador de grãos do mundo com apenas 6% do território utilizado, enquanto os EUA ocupam cerca de 17% e a Índia mais de 50%.

Logística, estocagem e dependência de fertilizantes
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No âmbito logístico, o Arco Norte contribuiu para reduzir custos, elevando exportações da região, mas ainda não acompanha o crescimento da safra. Em termos de armazenamento, apenas 17% da estocagem fica nas fazendas, frente a 65% observados nos EUA, gerando pressão sobre prêmios de frete e renda dos produtores.

A cadeia de fertilizantes apresenta desafio adicional: cerca de 30% dos insumos vêm da Rússia, o que amplia a necessidade de diversificação de fornecedores em um cenário de tensões geopolíticas. A diversificação é possível, mas o custo logístico permanece elevado no curto prazo.

Perspectivas e caminhos para atrair investimentos
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Olhar para o futuro envolve reposicionamento estratégico: a bioenergia é apontada como peça-chave para atrair investimentos e transformar o setor. A ideia é reunir até R$ 1 trilhão em investimentos até 2035 com o fortalecimento do diesel verde, do SAF ( aviation fuel) e do biodiesel, convertendo o Brasil num exportador de energia limpa, além de alimentos.

Desafios de curto prazo e chamadas à ação
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Cogo destacou que a demanda por infraestrutura e armazenamento continuará acelerando e reforçou a necessidade de ações urgentes para reduzir gargalos internos. A capacidade de armazenagem precisa acompanhar o ritmo da produção, e a melhoria da logística deve continuar avançando para não perder competitividade.

Conclusão
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O debate no Congresso Brasileiro de Fertilizantes reforçou a ideia de que o Brasil depende de estratégias ousadas para abrir novos mercados, ao mesmo tempo em que protege e renegocia velhos acordos comerciais. A trajetória de crescimento do agro brasileiro, apesar dos desafios, aponta para a busca de equilíbrio entre expansão de produção, eficiência logística e diversificação de insumos.

Fonte: Forbes Brasil

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