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Delator PCC: drone revela olheiro na favela

By Iris Andrade

Ameaças e proteção: um ano após o delator do PCC, mandantes ganharam abrigo com o CV; drone registra olheiro em comunidade carioca

Quase 12 meses após a execução do que ficou conhecido como delator do PCC, novas evidências apontam que os mandantes do crime teriam recebido proteção do Comando Vermelho. Imagens de drones capturadas pela Polícia Civil indicam a presença de um suposto olheiro em uma comunidade do Rio de Janeiro, enquanto os foragidos seguem sem localização.

Contexto do caso

No dia 8 de novembro de 2024, o corretor de imóveis Antônio Vinícius Gritzbach foi morto no desembarque do saguão do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. A ação, ocorrida em plena tarde, chocou o país e desencadeou investigações que uniram forças de diferentes órgãos de segurança. Ao longo do último ano, investigadores apontaram ligações entre integrantes do PCC, facção responsável pelo atentado, o Comando Vermelho, além de a atuação de policiais de São Paulo em operações que avançaram no tema da criminalidade organizada.

Mandantes sob proteção do CV

Segundo apurações, ao menos dois suspeitos pela morte de Gritzbach teriam passado a contar com a proteção de altos círculos do CV, que também teriam operado para dificultar a captura de milicianos. O caso envolve nomes vinculados à rede de violência que, segundo autoridades, integrava esquemas de extorsão, corrupção e lavagem de dinheiro vinculados a atividades do PCC e do CV em diferentes estados.

O olheiro flagrado pela fiscalização

Imagens obtidas pela GloboNews com exclusiva confirmação mostram Kauê Amaral, identificado pela investigação como o olheiro que sinalizou a saída do alvo do saguão de desembarque. Ele aparece em uma casa na Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, registrado por drones em repetidas ocasiões. O registro evidencia a presença de homens armados em áreas próximas, com rotas de entrada e pontos de venda de drogas associados a barricadas improvisadas.

Operação policial e perícia das evidências

Dois drones da Polícia Civil de São Paulo teriam sido derrubados por criminosos durante o andamento das apurações no Rio. As autoridades destacam que a localização do olheiro, bem como a proteção aos supostos mandantes, complica as estratégias de captura e reforça a necessidade de cooperação entre estados para desmantelar a rede criminosa. Em relação aos demais investigados, o quadro indica que nomes apontados como mandantes permanecem foragidos, sem advogado constituído no processo, conforme apuração.

Impactos, desdobramentos e próximos passos

O caso Gritzbach já trouxe à tona um conjunto de práticas relacionadas à corrupção policial, extorsão e a sofisticação de mecanismos de lavagem de dinheiro através de setores como construção civil e fintechs, usados para financiar a atuação de facções criminosas. O inquérito divulgado no início de 2025 detalhou que a motivação do homicídio estaria ligada a vingança pela morte de outro traficante pertencente ao PCC, além de indicar a existência de uma rede de cooperação que envolve agentes públicos em diferentes esferas. A Justiça e as polícias de São Paulo e do Rio continuam com diligências para localizar os mandantes remanescentes e o olheiro, bem como para esclarecer ligações entre as diferentes figuras envolvidas no crime.

Especialistas apontam que o desenrolar do caso pode exigir novas frentes de investigação e maior integração entre as polícias estaduais, com o objetivo de romper a cadeia de impunidade associada aos crimes de maior complexidade no país.

Resumo do dia

As investigações continuam em andamento, com novas diligências sendo realizadas para confirmar ligações entre as partes, mapear as rotas de fuga e entender os impactos estruturais das operações criminosas no âmbito nacional.

Fonte: G1

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