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Custo Brasil desafia setor industrial do Nordeste com novos obstáculos

By Iris Andrade

Crescem os obstáculos para a indústria nordestina devido ao Custo Brasil, aponta pesquisa da CNI

Uma análise divulgada recentemente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que o ambiente de negócios no Brasil continua enfrentando dificuldades significativas, especialmente na região Nordeste.

Segundo o levantamento realizado pelo Instituto Nexus, entre maio e junho de 2025, cerca de 55% dos empresários industriais nordestinos identificaram o Custo Brasil como principal barreira para melhorar sua competitividade. Este índice é mais alto do que a média nacional, que registra 45%, além de superar os 43% do Sul e os 33% do Norte e Centro-Oeste.

O que compõe o Custo Brasil?

De acordo com a pesquisa, o Custo Brasil inclui fatores como:

  • complexidade tributária;
  • burocracia excessiva;
  • dificuldades logísticas;
  • insegurança jurídica;
  • baixa eficiência do sistema de ensino;
  • dificuldade de acesso ao crédito.

Estes elementos elevam os custos de produção, prejudicam os investimentos e reduzem a competitividade das empresas no mercado interno e externo.

Impactos econômicos do Custo Brasil

Estima-se que o impacto financeiro desse conjunto de obstáculos seja de aproximadamente R$ 1,7 trilhão por ano, equivalente a cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Tal quantia reforça a necessidade de reformas estruturais direcionadas ao ambiente de negócios no país, ressaltou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Para explicar o conceito, a série Indústria de A a Z da própria CNI define o Custo Brasil como “o conjunto de entraves estruturais, burocráticos, econômicos e legais que aumentam o custo de produzir e fazer negócios no Brasil”. Esses custos não se originam dentro das fábricas, mas no ambiente externo, afetando produtividade e criação de empregos.

Resultados positivos na sustentabilidade da indústria nordestina

Apesar das adversidades, a região Nordeste destaca-se na adoção de práticas sustentáveis. Dados mostram que aproximadamente 60% das empresas investem em fontes de energia renovável, como solar, eólica e biomassa. Este percentual é o maior entre todas as regiões brasileiras, evidenciando a vocação energética da área, especialmente na Bahia, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí.

Além disso, 77% dos empresários do Nordeste demonstraram interesse em linhas de crédito específicas para sustentabilidade, acima da média nacional de 66%, reforçando a preocupação da indústria regional com a economia de baixo carbono.

Práticas ambientais e responsabilidade social no dia a dia industrial

Outro aspecto destacado pela pesquisa é a conscientização dos industriais em relação às questões ambientais. Cerca de 72% afirmaram evitar desperdício de água regularmente, assim como fazer esforços para não jogar lixo nas ruas. Contudo, esses índices permanecem abaixo de regiões mais avançadas como Sul e Sudeste, onde práticas similares ultrapassam 80%.

Debates sobre o Custo Brasil ganham força na indústria

Na primeira semana de julho, durante o evento “Diálogos sobre a Competitividade” realizado em Brasília, a temática do Custo Brasil voltou a ocupar o centro das discussões entre representantes do setor produtivo. O vice-presidente da CNI, Léo de Castro, reforçou a urgência de reformas que promovam maior eficiência no ambiente de negócios brasileiro.

Ele destacou que a oneração excessiva e a complexidade tributária representam custo que é repassado para toda a população, encarecendo produtos e prejudicando a competitividade do setor industrial. Dados do Banco Mundial indicam que uma empresa brasileira leva até cinco vezes mais tempo para cumprir obrigações fiscais em comparação a outros países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Perspectivas futuras e desafios a serem enfrentados

De acordo com especialistas e lideranças do setor, a redução do Custo Brasil é imprescindível para elevar a qualidade do ambiente de negócios e promover crescimento sustentável. Investimentos em infraestrutura, melhorias no sistema de educação e inovações logísticas são alguns dos caminhos apontados para tornar o Brasil mais competitivo no cenário mundial.

Enquanto isso, a indústria do Nordeste mantém seu foco na inovação e sustentabilidade, buscando se consolidar como uma das regiões mais promissoras do país na transição para uma economia de baixo carbono.

Fonte: Confederação Nacional da Indústria (CNI)

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