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CSN analisa resultado e sugere ajuste de preço

By Iris Andrade

CSN apresenta melhoria nos resultados do 3T25, mas dívida volta a subir

Segundo a Análise BB, a CSN mostrou avanço sequencial nos números consolidados e na alavancagem financeira no 3T25, porém o endividamento voltou a crescer.

Desempenho consolidado e margens

No 2T25, a CSN já havia apresentado ganho de eficiência, com EBITDA ajustado de R$ 3,3 bilhões e margem de 26,8% (alta de 3,3 p.p. t/t). No 3T25, o grupo manteve o ritmo positivo agregado, mas com nuances por segmento. A maior parte dos setores mostrou melhoria, exceto o de Siderurgia, cuja recuperação do trimestre anterior não se sustentou.

Entre os destaques, o EBITDA ajustado total subiu para aproximadamente R$ 3,4 bilhões, enquanto a Siderurgia registrou queda de 26,3% t/t para cerca de R$ 428 milhões, com a margem recuando para 8,1% (queda de 2,7 p.p. t/t). A empresa explicou que, no 2T25, adotou uma estratégia de priorização de margens, o que elevou a rentabilidade, mas, no 3T25, optou por uma postura de preços mais agressiva frente à concorrência de aço importado, impactando volumes e preços médios. O setor de construção civil ganhou participação nas vendas domésticas, em detrimento do automotivo, com aumento de volume de 4,0% t/t e queda de 7,6% nos preços médios. O custo de placa recuou 5,9% frente ao 2T25, atingindo o menor patamar dos últimos quatro anos, reflexo de maior eficiência produtiva.

CSN Mineração e CSN Cimentos

A CSN Mineração registrou um resultado operacional positivo no 3T25, impulsionado pela produção acelerada e por preços médios de minério de ferro mais elevados, com EBITDA ajustado cerca de R$ 2,0 bilhões, alta de 57% t/t, e lucro líquido de R$ 696 milhões (cinco vezes o registrado no 2T25).

A CSN Cimentos aproveitou a demanda aquecida, com volume de vendas 4,6% superior ao 2T25 e preços reajustados ao longo do trimestre. A receita líquida atingiu recorde, enquanto os custos acompanharam a alta de matérias primas e combustíveis ( +3,7% t/t). O EBITDA ajustado somou R$ 388 milhões, alta de 32,1% t/t, e a margem EBITDA ajustada subiu para 29,1% (alta de 4,9 p.p. t/t), aproximando-se dos níveis pré-aquisição.

O resultado financeiro ficou negativo em R$ 1,4 bilhão (-24% t/t), e o lucro líquido encerrou em R$ 76 milhões, o primeiro resultado positivo após seis trimestres de prejuízo.

Endividamento, alavancagem e caixa

Após dois trimestres de redução, a dívida bruta voltou a subir, somando R$ 56,3 bilhões no 3T25 (+R$ 1,4 bilhão). O fluxo de caixa livre voltou a ficar negativo, em torno de -R$ 815 milhões, pressionado por maior capex, maior necessidade de capital de giro e despesas financeiras, reduzindo a posição de caixa para R$ 18,8 bilhões. A dívida líquida avançou para R$ 37,5 bilhões (+R$ 1,9 bilhão t/t).

Quanto à alavancagem, houve leve queda no período, com a relação dívida líquida/EBITDA passando de 3,24x no 2T25 para 3,14x no 3T25 — ainda acima da meta de 3,0x para o fim de 2025. A CSN manteve a expectativa de alcançar esse patamar via continuidade do crescimento do EBITDA no 4T25, com sinais positivos para cimentos, mineração e uma recuperação na siderurgia, apoiada pela melhora de preços após reajustes no mercado interno e por ganhos de eficiência em todos os negócios. A busca por um parceiro na CSN Infraestrutura continua como forma de acelerar a desalavancagem, com previsão revista para 2026 (anteriormente esperada para 2025).

Desempenho das ações e perspectivas

As ações CSNA3 tiveram alta de quase 20% em outubro, reagindo ao desempenho setorial e à melhora esperada nos resultados consolidados, impulsionados principalmente pela mineração. No início de novembro, após a divulgação, houve uma correção com quedas superiores a 5% em some pregões, diante de números que ficaram aquém das expectativas em parte.

Apesar da leve redução da alavancagem neste trimestre, o endividamento continua elevando-se e permanece como principal preocupação. Os indicadores de solvência podem recuar caso a rentabilidade operacional não se consolide, o fluxo de caixa livre permaneça negativo ou o dólar se fortaleça no curto prazo.

A gestão reforça o foco na redução do endividamento e da alavancagem, confiando que o avanço do resultado operacional será o principal motor para positivar o fluxo de caixa livre.

Após a divulgação, foi recalculado o preço-alvo para “CSNA3” em 2026, com queda para R$ 11,00 (de R$ 13,80). A companhia está sendo negociada a um EV/EBITDA ligeiramente acima da média histórica, o que, somado aos demais fatores, sustenta a cautela e uma recomendação neutra para o papel.

Notas finais

O setor continua atento aos impactos de preços, margens e liquidez da CSN, principalmente pela exposição a siderurgia, mineração e construção. A direção sinaliza que o crescimento do EBITDA nos próximos trimestres poderá reverter o fluxo de caixa livre para o campo positivo e apoiar a desalavancagem gradual.

Fonte: Análise BB

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