Crise na construção pode encarecer moradia
By Iris Andrade
Crise no setor de construção civil pode tornar moradia mais cara no Reino Unido
A construção civil britânica atravessa uma fase de dificuldades que pode comprometer a acessibilidade de moradias nos próximos anos. especialistas alertam que o ritmo de entrega de novas casas deve permanecer abaixo dos níveis de 2022 até cerca de 2028, mesmo com metas governamentais ambiciosas para ampliar o parque habitacional.
Contexto e números-chave
Entre os dados relevantes, destaca-se a meta do governo de construir 1,5 milhão de lares até 2029, que pode sofrer atraso de até 30% devido aos gargalos atuais. Além disso, a recuperação da produção de moradias ao patamar de 2022 não deve ocorrer antes de 2028, segundo projeções do setor.
Principais entraves ao crescimento
- Financiamento restrito: acesso limitado a crédito e juros elevados dificultam a aquisição de imóveis, principalmente para jovens e famílias de baixa renda.
- Ausência de programas públicos robustos de estímulo à compra.
- Aumento dos custos dos materiais e inflação, que elevam o custo total das obras.
- Incertezas na política fiscal e no ambiente regulatório, que retardam decisões de investimento.
- Impacto sobre pequenas e médias empresas: já há relatos de fechamento de um número expressivo de empresas do setor.
Impactos no emprego e na oferta de moradia
Os efeitos combinados de crédito mais caro, demanda contida e custos elevados podem reduzir a criação de empregos no setor e interromper o aperfeiçoamento de competências técnicas. A consequência direta é a menor oferta de imóveis, além de pressões para cima nos preços de compra e aluguel, o que agrava as desigualdades regionais na habitação.
Medidas propostas para enfrentar a crise
- Reativação de programas de estímulo à compra, com foco em compradores de primeira viagem.
- Criação de um esquema de empréstimo de capital com condições mais favoráveis e juros acessíveis.
- Estabelecimento de uma autoridade dedicada à entrega e à requalificação de imóveis antigos, promovendo sustentabilidade e prolongando a vida útil das habitações existentes.
- Incentivos a reformas de menor escala, gerando empregos locais e dinamizando a atividade em diferentes regiões.
Perspectivas futuras
Se não houver políticas públicas de estímulo, a demanda por moradia pode permanecer fraca e os déficits habitacionais podem se estruturar de forma mais profunda. A continuidade da desaceleração pode elevar ainda mais preços e aluguéis, além de frear a recuperação econômica do setor. A recuperação dependerá de ações coordenadas entre governo, setor privado e entidades representativas.
Fonte: Revista Forúm