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CRIs rendem mais que CDI e surpreendem

By Iris Andrade

CRIs surgem como alternativa de renda fixa com isenção de IR e lastro imobiliário

Em meio a um cenário de juros elevados, investidores de renda fixa buscam previsibilidade e rentabilidade que resista ao tempo. Embora títulos como CDBs e papéis públicos ainda sejam opções, a tributação reduz o ganho líquido, o que tem levado muitos a olhar para os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). Esses ativos, isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas e lastreados em créditos do setor imobiliário, oferecem potencial de rendimento alto, segurança jurídica e, em alguns casos, investimento a partir de valores menores, como R$ 1.000.

Como funciona um CRI e o que o torna atrativo

Investir em CRI significa emprestar recursos a incorporadoras, securitizadoras ou empresas ligadas ao mercado imobiliário. Em troca, o investidor recebe juros periodicamente e o valor aplicado no vencimento. O retorno pode ser prefixado, atrelado ao CDI ou à inflação, proporcionando diferentes estratégias conforme o perfil do investidor.

Exemplos disponíveis na prática incluem ativos ofertados pela PeerBR, fintech do grupo GCB. O CRI DI Cecília tem vencimento em julho de 2027 e oferece CDI mais 6% ao ano. Com o CDI atual em 14,9%, isso representa um retorno bruto de aproximadamente 20,9% ao ano. Outro ativo é o CRI Vilas do Palácio, com CDI mais 6,5% ao ano, estimando ganhos de até 21,4% ao ano, com vencimento em julho de 2028. Ambos chegam isentos de IR, não cobram corretagem e podem ser acessados diretamente pelo aplicativo da Peer.

Garantias e segurança: como os CRIs protegem o investidor

Além da rentabilidade, os CRIs se destacam pela estrutura de garantias. Os recebíveis que lastreiam esses títulos — como parcelas de imóveis vendidos e aluguéis — são vinculados por regime fiduciário. Ou seja, mesmo que a empresa emissora enfrente dificuldades, os recursos ficam segregados para o pagamento dos investidores. Essa camada de segurança aproxima os CRIs de produtos de renda fixa tradicional, com a vantagem adicional da isenção tributária.

Perfil recomendado e liquidez do mercado

Esse tipo de ativo costuma exigir que o investidor mantenha o papel até o vencimento, já que o mercado secundário apresenta menor liquidez e a venda antecipada pode reduzir a rentabilidade. Em 2023, as emissões de CRIs passaram de R$ 50 bilhões, um crescimento de 25% em relação ao ano anterior. Segundo a ABECIP, os CRIs já respondem por cerca de 9% de todo o crédito imobiliário, estimulando termos de financiamento fora do circuito bancário e apoiando a construção de novos empreendimentos.

Desempenho, inflação e cenários macroeconômicos

Historicamente, os CRIs entregam rentabilidade líquida superior ao CDI quando comparados com CDBs e títulos públicos tributados. Um CRI que pague 100% do CDI tende a ser mais atrativo, justamente por não haver imposto. Papéis indexados à inflação também oferecem proteção contra a pressão de preços, o que é relevante em períodos de instabilidade econômica.

Entretanto, o ambiente macroeconômico impõe desafios. Com a Selic ao redor de 15% ao ano, o crédito imobiliário se torna mais caro, o poder de compra das famílias diminui e incorporadoras tendem a reduzir lançamentos. A expectativa é de uma queda de cerca de 10% no crédito do setor em 2025, o que pode reduzir a oferta de novos CRIs e exigir cautela na seleção de ativos. Ainda assim, existem oportunidades bem estruturadas, especialmente em plataformas como a PeerBR.

Panorama setorial e políticas públicas

Políticas públicas voltadas à habitação, como programas de ampla circulação de moradia, podem impulsionar a demanda e o mercado de securitização. Programas habitacionais continuam desempenhando papel importante, especialmente em municípios menores, ajudando a manter o fluxo de crédito imobiliário. Além disso, a combinação de juros altos com cortes de juros programados nos EUA aponta para uma eventual queda da Selic no início de 2026, o que pode influenciar o cenário de investimento em CRIs.

Conclusão

Os CRIs se firmam como uma alternativa robusta para quem busca renda fixa com maior retorno líquido e menor peso tributário, desde que o investidor compreenda o funcionamento desse tipo de ativo e se alinhe ao seu perfil de risco. Mesmo diante da escassez de oportunidades isentas de imposto e da oferta abundante de produtos genéricos, o setor imobiliário continúa ganhando relevância ao combinar segurança, rendimento e simplicidade operacional, com plataformas como a Peer abrindo o acesso a esses ativos.

Fonte: Notícia referência

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