Crédito imobiliário eleva teto de compras
By Iris Andrade
Governo eleva teto de financiamento imobiliário no SFH para 2,25 milhões
O governo brasileiro anunciou planos para aumentar o teto de financiamento de imóveis dentro do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), passando de 1,5 milhão de reais para 2,25 milhões. A medida pode injetar cerca de 20 bilhões de reais na economia. O novo modelo de crédito habitacional, apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, permite que os bancos utilizem recursos da poupança de forma mais flexível após concederem financiamentos. A mudança visa reorganizar o mercado de crédito imobiliário e pode elevar a exigência de aplicação de 90 bilhões para 200 bilhões de reais em dois anos.
O que muda no SFH
O teto para o financiamento de imóveis dentro do SFH pode chegar a 2,25 milhões, com a taxa de juros ainda prevista em 12% ao ano. O aumento do teto atende a um pleito do setor da construção, que não via atualização desde 2018. O anúncio indica que a nova dinâmica começará a valer de imediato, com testes já em funcionamento antes da implementação plena. O governo avalia que, mesmo com a transição ocorrendo rapidamente, o objetivo é ampliar a oferta de crédito com condições mais competitivas.
Como funciona o novo modelo
O BC desenvolveu o desenho em parceria com o Ministério das Cidades, o Ministério da Fazenda e a Caixa Econômica Federal. A ideia central é liberar, a cada real de financiamento habitacional concedido, o acesso ao mesmo volume de recursos da poupança para uso livre pelo banco, por um período inicial de cinco anos. Ao fim desse período, o banco precisaria conceder novo crédito para renovar a permissão.
Além disso, 80% do valor liberado dos recursos da poupança deverá ser utilizado no SFH, enquanto o restante poderá ir para o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), que não tem limitação de taxas. Em uma mudança histórica, o governo anterior havia retirado a obrigatoriedade de que 80% dos recursos da poupança fossem aplicados no SFH; com o novo modelo, essa exigência volta a vigorar.
Panorama financeiro e impactos esperados
Segundo fontes envolvidas, a liberação imediata dos recursos de compulsório pode liberar pelo menos 20 bilhões de reais, podendo chegar a 37,5 bilhões, dependendo do saldo da poupança disponível. A Caixa, líder nesse segmento, deve observar benefícios, principalmente diante de um cenário em que as restrições de recursos já atingem o setor.
As simulações indicam que a demanda por crédito imobiliário pode subir bastante, com a exigibilidade de aplicação dos bancos no crédito imobiliário passando de 90 bilhões para 200 bilhões de reais em dois anos.
Contexto macroeconômico
O movimento acontece em meio aos esforços do Banco Central para conter a inflação e esfriar a atividade econômica. A taxa Selic está em 15% ao ano, o que tem sido alvo de críticas entre membros do governo Lula. Enquanto o BC busca uma contenção de curto prazo, o novo modelo aposta em ampliar a oferta de crédito imobiliário com recursos já existentes na poupança, via uma reorganização da alocação de recursos entre SFH e SFI.
Quem participa
Coordenadores do processo incluem o Banco Central, os Ministérios das Cidades e da Fazenda e a Caixa, instituição com maior atuação no financiamento de moradias. O objetivo é solucionar um problema estrutural: a redução da participação da poupança no financiamento da casa própria, que vem caindo à medida que os brasileiros buscam aplicações mais rentáveis.
Perspectivas
Caso o modelo seja plenamente implementado em 2027, espera-se que o crédito imobiliário aumente e, com isso, possa haver menor pressão sobre as taxas de juros no setor, favorecendo o acesso à casa própria. A condução do plano já prevê início imediato dos testes, com avaliação contínua para ajustes conforme a dinâmica econômica.
Fonte: O Globo