Crédito habitacional pode impulsionar mercado, aponta CBIC
By Iris Andrade
Nova política de crédito habitacional pode impulsionar o mercado imobiliário
O governo federal apresentou um novo modelo de crédito habitacional que, segundo a CBIC, tem potencial para transformar o cenário do setor. Em nota encaminhada à imprensa, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção destacou que as mudanças devem ampliar o acesso à moradia e atrair investimentos, especialmente em um momento em que as altas taxas de juros pesam sobre o desempenho do mercado.
O presidente da CBIC, Renato Correia, enfatizou que as medidas beneficiam principalmente a classe média, que estava com o financiamento mais restrito. Ele ressaltou ainda que a nova política oferece maior flexibilidade para os recursos do SBPE, expandindo as opções de crédito além dos programas de renda mais baixa.
Principais mudanças do novo modelo
- Atualização do teto do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) de imóveis financiáveis, que passou de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões.
- Foco ampliado na classe média, incluindo pessoas que não se enquadram nos critérios do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que atualmente atende rendas de até R$ 12 mil mensais.
- Aumento da flexibilidade no uso dos recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).
- Fim gradual do direcionamento obrigatório de parte dos depósitos da poupança para crédito imobiliário, que hoje representa cerca de 65%, com outros 20% obrigatoriamente recolhidos pelo BC.
Impactos esperados para o crédito imobiliário
Segundo Correia, as mudanças devem ampliar o acesso à moradia digna e de qualidade, respondendo à demanda de famílias que estavam desassistidas. O novo modelo também deve tornar o SBPE mais eficiente ao oferecer linhas de financiamento com condições mais previsíveis para o orçamento familiar.
O tema é acompanhado de ajustes ao saque-aniversário do FGTS, aprovados recentemente, que visam tornar o acesso à moradia mais estável para diferentes faixas de renda. As alterações anunciadas prometem trazer mais segurança jurídica e previsibilidade ao mercado.
Compromissos práticos e cronograma
Durante o evento Incorporta 2025, em São Paulo, o ministro das Cidades, Jader Filho, adiantou que a nova política de habitação permitirá à Caixa Econômica Federal financiar 80 mil moradias de imediato. O ministro ressaltou a intenção de destinar, no próximo ano, aproximadamente R$ 150 bilhões do FGTS para a habitação, como parte de uma estratégia mais ampla de ampliar o acesso ao financiamento.
Atualmente, 65% dos depósitos da poupança são direcionados ao crédito imobiliário, com 20% recolhidos pelo Banco Central. O novo arranjo prevê o fim desse direcionamento obrigatório, com vigência plena prevista para janeiro de 2027, após um período de transição que terá início ainda neste ano.
Perspectivas para o mercado
Especialistas sinalizam que a mudança pode estimular o mercado imobiliário ao oferecer linhas de crédito mais estáveis e acessíveis, especialmente para famílias de renda média que antes encontravam limitações para financiamentos de maior porte. A expectativa é de que o conjunto de medidas deslanche o ritmo de compra de imóveis e atraia investimentos para o setor, contribuindo para o crescimento do setor de construção.
Fonte: Money Times