Corretor de SC Ostentava Vida de Luxo com Casa de R$ 12 Milhões
By Iris Andrade
Corretor de imóveis suspeito de fraudes de milhões de reais levava vida de luxo e tentou se reestabelecer em Santa Catarina
Um corretor de imóveis, com histórico de fraudes financeiras e que atuava sem registro oficial, foi preso recentemente em Santa Catarina após investigações apontarem um esquema ilícito que movimentou mais de R$ 20 milhões e afetou cerca de 119 vítimas.
Vida de luxo e envolvimento em esquema fraudulento
Segundo informações da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, o suspeito, de 39 anos, mantinha uma residência avaliada em aproximadamente R$ 12 milhões no Estado. Além disso, possuía um apartamento em Itapema, a uma quadra da praia, de padrão mais modesto, onde tentava recomeçar após o esquema ruir.
Conforme as investigações, ele operava um sistema fraudulento envolvendo mais de 600 contratos de locação. Muitas vítimas tiveram valores de cauções, que normalmente equivalem a três meses de aluguel, desviados por ele, causando prejuízos que ultrapassaram R$ 20 milhões.
Modus operandi e esquema de pirâmide interna
O corretor também se apropriava de comissões de corretagem, desviando recursos da própria imobiliária onde trabalhava. Este funcionamento interno, segundo a polícia, configurava um esquema de pirâmide financeira, no qual recursos eram transferidos de um lado para encobrir desvios, até que o sistema deixou de sustentar-se e entrou em colapso.
Engano e prejuízo de clientes
Entre os prejuízos, destacou-se a venda simulada de uma casa avaliada em R$ 1,4 milhão, a qual continha uma alienação fiduciária em nome de um banco. Ainda na ativa, o corretor realizou contratos de venda sabendo da existência dessa constrição judicial, o que demonstra uma tentativa deliberada de enganar os clientes.
Fuga e tentativa de recomeço em Santa Catarina
Após a crise, o suspeito fechou sua imobiliária e mudou-se para Itapema, tentando se reinserir no mercado imobiliário local. Autorizações do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Santa Catarina (Creci-SC) nunca foram concluídas, embora ele alegasse estar regularizado.
A tentativa de obter novo registro na região não foi bem-sucedida, pois a própria entidade negou a inscrição do profissional. Ele também tentava transferir seu cadastro para o estado, mas sem êxito.
Versão da defesa e investigação judicial
O advogado do suspeito, Vinícios de Figueiredo, afirmou que o prejuízo financeiro não passaria de R$ 2 milhões, destacando que a venda do imóvel avaliado em R$ 1,4 milhão poderia ser resolvida até dezembro. Ele também alegou que a imobiliária do cliente garantiu pagamentos aos proprietários mesmo em caso de inadimplência.
Sobre a prisão, o advogado disse que há um habeas corpus em tramitação, mas que a solicitação foi negada pela Justiça. A defesa justificou que o corretor colaborou com as investigações e negou o uso de documentos falsificados para atuar em Santa Catarina.
Impacto e vítimas
Entre as vítimas mais relevantes, há relatos de que uma pessoa perdeu R$ 700 mil em uma negociação suspeita envolvendo imóvel de alto padrão. Os efeitos do esquema ainda estão sendo apurados, e a polícia continua as investigações para identificar todos os envolvidos e possíveis outros prejuízos.
Considerações finais
O caso revela um cenário preocupante de atuação clandestina de corretores e fraudes que prejudicam milhares de pessoas. A polícia reforça a necessidade de verificar o registro no Creci e estar atento a possíveis sinais de golpes no mercado imobiliário.
Fonte: Polícia Civil do Rio Grande do Sul