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Construção revela plano de carreira inédito e salários altos

By Iris Andrade

Setor da construção civil aposta em plano de carreira nacional para atrair jovens

A construção civil, responsável por empregar milhões de trabalhadores formais em todo o país, enfrenta um desafio histórico: a escassez de jovens interessados em vagas de entrada, tradicionalmente ocupadas por aprendizes e ajudantes. A falta de mão de obra tem impactado cronogramas e a qualidade de entregas em obras pelo país.

Plano inédito para valorizar profissionais e modernizar cargos

Conforme anunciam entidades setoriais, o Sinduscon-SP, o Sintracon-SP e o Senai estão desenvolvendo um plano de carreira nacional com uma trilha formativa que acompanha o trabalhador desde as funções básicas até cargos técnicos e de liderança. Parte dessa estratégia envolve a modernização dos títulos dos cargos, substituindo rótulos tradicionais por nomenclaturas mais técnicas, como “auxiliar de construção” em vez de “pedreiro” ou “servente de pedreiro”. A ideia é mostrar aos jovens que há espaço para especialização, tecnologia e crescimento profissional.

Segundo Antonio de Souza Ramalho, presidente do Sinduscon-SP, a mudança busca combater o preconceito associado a títulos antigos e valorizar o conhecimento técnico que a indústria oferece.

Trajetórias, cargos e salários

  • Salário inicial varia de R$ 2.500 a R$ 6.000 mensais, conforme função e região.
  • Profissionais experientes, como pedreiros, podem alcançar de R$ 13 mil a R$ 15 mil; mestres de obras podem ultrapassar R$ 20 mil mensais sem exigir diploma universitário.
  • A proposta não é apenas elevar salários, mas oferecer um caminho claro de progressão na carreira, com etapas bem definidas.

Trajetórias práticas já começam na base: uma jovem servente de obras pode migrar para aprendiza, acessar cursos do Senai e evoluir para posições como líder de equipe, encarregado técnico e, no futuro, mestre de obras. Cada etapa será marcada por treinamentos e certificações com progressão salarial gradual.

Educação profissional como diferencial estratégico

O Senai fica responsável por adaptar currículos às novas demandas do setor, ampliar vagas e incorporar conteúdos sobre sustentabilidade, automação e tecnologias digitais na construção. A expectativa é alinhar o setor aos desejos das novas gerações, que buscam não apenas remuneração adequada, mas propósito, estabilidade e oportunidades reais de crescimento.

“Acreditamos que esse movimento pode reverter a fuga de talentos e garantir mão de obra qualificada para os próximos anos”, enfatizam os idealizadores do plano.

Contexto e desafios persistentes

Especialistas apontam que vários fatores contribuem para a menor procura por vagas de entrada: a percepção de trabalho intenso, desgaste físico e a aparente falta de perspectiva de ascensão profissional. Setores como tecnologia, varejo e serviços digitais costumam atrair jovens com propostas de carreira mais rápidas e ambientes mais atrativos.

Apesar dos desafios, a indústria destaca que as remunerações ainda são competitivas, especialmente para profissionais experientes, e que o problema central está na ausência de um modelo claro de progressão. O objetivo é transformar esse cenário por meio de estratégias de capacitação, modernização de cargos e parcerias com instituições de ensino técnico.

Como parte do processo, campanhas de valorização da profissão, diálogo com escolas técnicas e ajustes regulatórios devem acompanhar a implementação do plano para ampliar a atratividade da construção civil entre as novas gerações.

Em síntese, a indústria avalia que a combinação de títulos mais técnicos, trajetórias de carreira bem definidas e formação profissional atualizada pode, ao longo do tempo, restabelecer o interesse dos jovens pela construção civil e assegurar mão de obra qualificada para os anos vindouros.

Fonte: Click Petróleo e Gás

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