Construção pede modernização e aponta gargalo de capacitação
By Iris Andrade
Setor da construção civil exige modernização urgente e aponta gargalos na capacitação diante da revolução tecnológica
Representantes de cinco das principais entidades do setor publicaram um manifesto que revela a percepção compartilhada entre executivos e especialistas: o país precisa atualizar leis trabalhistas e tributárias para acompanhar a transformação digital que já chega aos canteiros de obras.
Quem assina o movimento
- SindusCon-SP
- CBIC
- Abrainc
- Secovi-SP
- Sintracon-SP
O conteúdo do manifesto
Divulgado no fim de agosto, o Manifesto da Indústria da Construção Civil 2033 ressalta a necessidade de ampliar a qualificação da mão de obra, reduzir a informalidade e tornar o modelo tributário mais favorável à adoção de métodos construtivos mais eficientes. O documento evidencia que, embora haja mais de três milhões de empregos formais no setor, ainda existem cerca de cinco milhões de trabalhadores informais, muitos sem preparo para a era digital que já se impõe.
Casos práticos na linha de frente da transformação
A executiva Bárbara Kemp, fundadora e CTO da Kemp Projetos e Gerenciamento de Obras, observa que a tecnologia deixou de ser diferencial e passou a exigir para que o canteiro funcione com eficiência mínima. Entre as inovações em uso estão sensores de progresso, drones com visão computacional e plataformas BIM com IA. No entanto, os maiores entraves continuam na base: estruturas ainda insuficientes, processos pouco maduros e carência de capacitação.
A Kemp desenvolveu a Workemp, uma plataforma de gestão que tem sido adotada por grandes empresas para centralizar dados, acompanhar cronogramas e antever falhas. Para ela, a tecnologia só gera valor quando acompanhada de treinamento adequado e de uma mudança de mentalidade organizacional. “A IA não resolve o caos; ela amplifica o que já está estruturado. Sem uma base sólida, torna-se apenas mais uma ferramenta mal aproveitada.”
Dados que reforçam o desafio
Estudos recentes ajudam a entender o cenário: uma parceria entre Deloitte e Fiesp estima que, entre 2023 e 2025, o setor pode perder cerca de R$ 59,1 bilhões apenas por atritos operacionais e atrasos. Além disso, índices de desperdício de materiais variam entre 30% e 40%, conforme levantamentos da Autodesk.
Visão de futuro
Apesar dos obstáculos, os relatos apontam para uma janela estratégica de oportunidade. O setor demonstra abertura para mudanças, desde que haja gestão sólida, governança eficaz e capacitação contínua de equipes. A perspectiva compartilhada é de um setor mais colaborativo, conectado e guiado por dados, em que a tecnologia não substitui pessoas, mas as capacita a atuar de forma mais estratégica.
Especialistas destacam que o êxito da digitalização depende de caminhos como organização de processos, cultura de gestão e qualificação constante do capital humano. Quem entender esse movimento desde já terá posição de liderança nos próximos anos.
Notícia apurada com base em informações do setor de construção civil e especialistas envolvidos na discussão do tema.
Fonte: Jornal do Brás