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Conflito no Lume Divide Arquitetos e Engenheiros na Construção

By Iris Andrade

Notícia sobre a construção de um novo edifício no Buraco do Lume provoca debates intensos entre profissionais de arquitetura e representantes do setor da construção civil. O projeto, autorizado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, faz parte do programa Reviver Centro, que visa revitalizar o coração da cidade do Rio de Janeiro.

Segundo informações oficiais, o empreendimento terá 24 andares e incluirá 720 unidades residenciais além de quatro espaços comerciais. A iniciativa tem como objetivo atrair novos moradores ao centro da cidade, promovendo a reocupação de áreas subutilizadas. A construtora responsável, Patrimar Engenharia, confirmou o andamento do projeto, mas ainda não definiu uma previsão de início das obras.

A proposta gerou opiniões divergentes. Enquanto o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-Rio) enxerga o projeto como uma oportunidade de transformar a dinâmica do centro, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU-RJ) expressa preocupações acerca do excesso de densidade prevista para a região. De acordo com Sydnei Menezes, presidente do CAU-RJ, é necessário realizar estudos detalhados de impacto para avaliar os efeitos na vizinhança, principalmente devido ao elevado adensamento que o edifício provocará.

A área prevista para o empreendimento está situada perto da Praça Mário Lago, no terreno que, até 2022, era conhecido pelo apelido “Buraco do Lume”, após o destombamento do local pela Assembleia Legislativa em 2022. O espaço, tradicionalmente utilizado para manifestações políticas, abriga monumentos como o dedicado a Melvin Jones, fundador do Lions Club, e a estátua da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018.

Historicamente, o terreno foi comprado pelo grupo Lume na década de 1950, que planejava construir uma sede de 50 andares — o maior edifício do Brasil na época. Por problemas financeiros, a obra foi abandonada e ficou marcada por um enorme buraco de fundação. A praça foi oficialmente renomeada como Mário Lago em 2009, embora o local continue carregando uma forte carga simbólica de lutas sociais e manifestações políticas.

A construção do edifício no Buraco do Lume faz parte do programa Reviver Centro, que desde 2021 já gerou mais de cinco mil novas unidades habitacionais na área central do Rio. Essa iniciativa busca reocupar comercialmente e residencialmente o bairro, transformando imóveis subutilizados em moradias permanentes. Segundo dados da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, o projeto visa criar um impacto positivo na região, que atualmente apresenta baixa ocupação durante o período noturno e nos finais de semana.

Para especialistas da área, o projeto poderá alterar significativamente a mobilidade e a vida urbana no centro da cidade. Hermolin, presidente do Sinduscon-Rio, afirma que a presença de quase duas mil pessoas morando no prédio pode impulsionar o comércio local, diversificar opções de lazer e melhorar a qualidade de vida. Contudo, há notas de preocupação quanto ao impacto do elevado volume de moradores e às consequências na infraestrutura urbana.

O CAU-RJ sugere que sejam feitos estudos de impacto mais aprofundados para garantir que o empreendimento não cause problemas de ventilação, convivência e movimentação na região. A entidade também alertou que o tamanho e a densidade do edifício requerem atenção especial para evitar sobrecarregar a área central, que historicamente possui uma ventilação urbana limitada.

Por sua vez, a construtora afirmou que aguarda avaliação de demandas do mercado para definir o cronograma de obras, reiterando que o projeto foi aprovado pelas autoridades municipais e faz parte do plano de revitalização do centro.

O afluxo de novos residentes ao centro do Rio, potencializado por essa e outras iniciativas do programa Reviver, tem sido uma estratégia para revitalizar a região, inicialmente marcada por deterioração e abandono. Ainda assim, a discussão sobre o impacto social e urbanístico desses empreendimentos permanece ativa entre gestores públicos, arquitetos e empresários, buscando sempre equilibrar desenvolvimento e preservação.

Fonte: Jornal O Dia

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