Concreto com bactérias que se regenera ao tocar água
By Iris Andrade
Concreto com autocura: lições da Roma antiga para o futuro da construção
Estudos recentes em construção e materiais apontam caminhos promissores para ampliar a durabilidade de estruturas. Uma linha de pesquisa acompanha as promessas de um concreto com bactérias vivas que se regenera sozinha ao ter contato com a água. Ao mesmo tempo, pesquisadores do MIT revisitam técnicas da engenharia romana para entender como esse tipo de concrete pode resistir ao tempo por séculos.
O que a pesquisa revela
Especialistas investigam como o concreto romano conseguiu durar milhares de anos, mesmo em ambientes agressivos. A análise de amostras mostrou que o material combinava tufos vulcânicos, cinzas pozolânicas e uma argamassa de cal, elementos que, em conjunto, contribuíram para a alta resistência química e mecânica ao longo do tempo.
Um destaque é a presença de “clastos de cal”—pequenos cristais de cálcio. Ao entrar em fissuras com a água, esses clastos podem reagir e gerar uma solução de cálcio que se transforma rapidamente em carbonato de cálcio, preenchendo as rachaduras e fortalecendo a estrutura.
A química por trás da autocura
- Os clastos de cal atuam como fonte de cálcio reativo dentro da massa do concreto.
- Quando a água penetra nas fissuras, há uma reação que gera uma solução saturada de cálcio.
- A solução se crystalliza em carbonato de cálcio, preenchendo as rachaduras e, com a participação da pozolana, reforçando o material.
- O resultado é uma auto regeneração das fissuras que pode ocorrer de forma natural e indefinida.
O papel do método de fabricação
Os cientistas sugerem que a forma de fabricação pode ter sido crucial. Existe a hipótese de ter ocorrido o chamado “hot mixing” (mistura a quente), em que a cal virgem é misturada com cinzas vulcânicas e agregados antes da água ser adicionada. Esse protocolo poderia ter favorecido a autocura, inspirando futuras obras com propriedades de autorreparo.
Impactos para o concreto do futuro
Os pesquisadores do MIT destacam o objetivo de desenvolver métodos para reduzir a pegada de carbono do cimento, aumentando a longevidade do concreto por meio de funcionalidades de autocura. A ideia é criar estruturas mais duráveis, que exigem menos reparos e manutenção ao longo do tempo.
Concreto com bactérias vivas: uma aposta em evolução
Paralelamente, tecnologias modernas exploram o uso de bactérias vivas para induzir a regeneração de falhas. Em ambientes onde a água está presente, esse tipo de concreto pode selar fissuras, aumentando a vida útil de edificações sem grandes intervenções.
As linhas de pesquisa, tanto históricas quanto biotecnológicas, apontam para um caminho comum: unir ciência dos materiais, técnicas de fabricação e biologia para criar concretos mais resilientes e com menor impacto ambiental.
Fonte: ND Mais