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Complexo Kampoong Guha: segredos da Realrich

By Iris Andrade

Complexo Kampoong Guha: um espaço híbrido que concilia biblioteca, estúdio, coworking e residência em Tangerang

Um novo conjunto arquitetônico em Tangerang, Indonésia, apresenta uma abordagem de uso misto que transforma a forma como a comunidade local interage com leitura, educação domiciliar, trabalho criativo e moradia estudantil. Com área de aproximadamente 800 m², o Complexo Kampoong Guha, assinado pelo Realrich Architecture Workshop, integra a Biblioteca OMAH, o estúdio do escritório, espaços de coworking, uma sala de oficinas e a residência do arquiteto com acomodações para estudantes. O projeto foi concluído para oferecer um ambiente de aprendizagem, convivência e produção cultural em meio a uma área de fronteira entre o bairro formal e o informal.

Contexto e localização

O terreno fica no limite entre áreas formais de Tangerang e trechos de ocupação informal. Ao norte se encontra Kampung Haji Brit, com uma rua estreita de cerca de 1,5 m, enquanto ao sul fica um condomínio mediterrâneo em Meruya, com uma via de aproximadamente 6 m. A proposta privilegia vegetação tropical e elementos que conectam dois bairros distintos, preservando árvores existentes e criando circulação suave entre as partes do conjunto.

Programa e organização

O programa do complexo é organizado como um labirinto flexível, com salas de até 4 metros de vão e mais de 200 portas que permitem circulação e adaptação. O conjunto pode ser acessado por três entradas distintas:

  • entrada pública para a Biblioteca OMAH;
  • entrada privada para a casa do arquiteto;
  • entrada de serviço na parte sul.

Além da biblioteca infantil, o projeto abriga:

  • estúdio de Realrich Architecture Workshop;
  • espaços de coworking compartilhado, incluindo o espaço Benteng no térreo (3 x 15 m);
  • sala de oficinas e salas de aula para educação domiciliar;
  • residência do arquiteto com acomodações para estudantes, ginástica, arte e oração.

A Biblioteca OMAH funciona como núcleo aberto diariamente, com terraços sombreados, jardins e subsolo com área de apoio para atividades de leitura, estudo e encontros comunitários.

Arquitetura, materiais e linguagem

O Kampoong Guha adota uma linguagem híbrida, que mescla reutilização adaptativa de estruturas existentes com um repertório de materiais de baixa tecnologia (madeira, bambu, aço galvanizado leve, azulejos reciclados) e de alta tecnologia (concreto, vidro, gesso, aço). O resultado é um conjunto camaleônico que dialoga entre tradição e industrialização, buscando flexibilidade de uso e expressão estética.

Estruturas de madeira, jardins inclinados e telhado verde aparecem como elementos centrais, contribuindo também para o conforto térmico por meio de estratégias de resfriamento passivo. O conjunto propõe terraços profundos e dispositivos de sombra para bloquear a radiação direta entre 10h e 15h, adaptando-se ao clima tropical da região.

Espaço público e circulação

A chegada dos visitantes é marcada por um foyer de pé-direito duplo, que atua como moldura para os espaços da biblioteca. O desenho de circulação cria microespaços de leitura, estudo e encontro, conectando jardins, terraços e áreas de convivência. O programa de uso compartilhado inclui áreas de refeições comunitárias e uma cantina, promovendo interações entre moradores, estudantes e visitantes.

Destaques e inovação

  • Biblioteca infantil com prateleiras modulares de madeira (200 mm x 400 mm x 600 mm) que formam arcos estruturais; estrutura móvel desde 2012, com acessos a partir do lado oeste e jardins antes do espaço principal.
  • Integração de espaços de educação domiciliar, sala de oficinas e áreas de estudo com a residência do arquiteto, favorecendo sinergias entre ensino, prática e moradia estudantil.
  • Escritório flutuante do Realrich Architecture Workshop acima do conjunto, em planta aberta, rodeado por jardins de orquídeas, com visuais do entorno e respeito aos elementos existentes da paisagem urbana.
  • Desenho de telhado verde que atua como isolamento térmico, mantendo interiores abaixo de 30°C, como experimento de clima tropical.
  • Ecologia integrada: áreas acima e ao redor do edifício promovem jardins escalonados, espécies de plantas e criação de micro‑ecossistemas com animais pequenos, contribuindo para compostagem e fertilização natural.

Impacto cultural e funcional

Mais que um conjunto com funções habitualmente separadas, o Kampoong Guha funciona como um protótipo de convivência urbana densa, oferecendo soluções para educação domiciliar, leitura pública e atividades criativas em um único volume arquitetônico. O projeto propõe respostas ao microclima e aos desafios de mobilidade urbana, ao mesmo tempo em que cria um espaço de aprendizado, encontro e produção cultural para a comunidade local.

Publicado em 11 de setembro de 2025.

Fonte: Complexo Kampoong Guha / Realrich Architecture Workshop, ArchDaily Brasil.

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