Como serão os primeiros data centers de IA no Brasil
By Iris Andrade
Primeiros centros de inteligência artificial no Brasil poderão consumir energia equivalente à de milhões de residências
Projetos de data centers dedicados à inteligência artificial (IA) estão em andamento no Brasil, com planos de construção em várias regiões. Entre as cidades previstas para receber esses espaços futurísticos estão o Rio de Janeiro, Eldorado do Sul, Maringá, Uberlândia e Caucaia.
Essas instalações terão grande capacidade de processamento para treinar modelos de linguagem, como o ChatGPT. Entretanto, seu funcionamento exige equipamentos extremamente potentes, que geram calor intenso, demandando sistemas avançados de refrigeração, muitas vezes abastecidos por água subterrânea.
Investimentos e locais selecionados
- Rio de Janeiro: A Elea Data Centers planeja a criação de quatro centros de IA no projeto Rio AI City, com um já em operação, inicialmente dedicado a serviços de nuvem.
- Rio Grande do Sul: O projeto Scala AI City, localizado em Eldorado do Sul, visa criar bairros de servidores que poderão atingir uma potência de 1.800 megawatts até 2033, podendo chegar a 5.000 megawatts no futuro.
- Ceará: Em Caucaia, um centro de alta capacidade, possivelmente utilizado pela ByteDance, proprietária do TikTok, será construído com previsão de começar operações em 2027. A instalação terá uma potência inicialmente de 300 megawatts, podendo atingir 576 megawatts posteriormente.
- Minas Gerais e Paraná: Projetos de data centers ainda em estudo ou em fase inicial, com potências estimadas de 400 megawatts, dependentes de análise de impacto ambiental e regularização governamental.
Impacto no consumo de energia
As projeções indicam que, em caso de plena operação, esses centros podem consumir energia equivalente ao uso diário de milhões de residências. Por exemplo, o Rio AI City, com capacidade de 1.500 megawatts, utilizaria uma quantidade de energia que abasteceria aproximadamente 6 milhões de lares por um dia.
Comparações: Um data center convencional, com potência de cerca de 20 megawatts, pode consumir energia equivalente ao de 80 mil residências ao longo de um dia.
Desafios ambientais e infraestrutura
Os projetos de IA requerem sistemas de refrigeração sofisticados. Alguns utilizam refrigeração líquida, que pode empregar óleo ou água, com circuitos fechados para minimizar o uso de recursos hídricos. Outros planejam aproveitar a energia solar ou a infraestrutura de energia limpa do Brasil para reduzir o impacto ambiental.
Além de energia, a utilização de recursos hídricos é uma preocupação. Empresas estudam usar água de aquíferos ou reservatórios de hidrelétricas, com sistemas isolados de circulação líquida que não comprometem a qualidade de fontes subterrâneas.
Apoio governamental e regulações
- Apoio local: Municípios como Eldorado do Sul e cidades como Maringá e Uberlândia vêm sancionando leis de incentivo tributário para atrair investidores do setor.
- Regulamentação ambiental: Os futuros centros precisarão de licenciamento ambiental específico, que avalie riscos e impactos de consumo hídrico e energético, além de autorização para uso de recursos naturais.
- Conexões à rede elétrica: Entre 2020 e meados de 2025, o governo aprovou aproximadamente 37 pedidos de conexão para grandes consumidores de energia, incluindo projetos de centros de IA.
Perspectivas futuras e desafios
Especialistas alertam que as informações públicas sobre o impacto ambiental desses centros ainda são insuficientes. Eficiência no uso de recursos e estratégias de sustentabilidade são essenciais para evitar problemas ambientais severos.
O governo federal está desenvolvendo uma nova política de incentivos para o setor, buscando estimular investimentos sustentáveis e a implantação de infraestrutura de alta tecnologia de forma responsável.
Enquanto isso, empresas e órgãos reguladores monitoram de perto o desenvolvimento desses projetos, que prometem transformar o Brasil numa referência em inteligência artificial na América Latina, mas precisam equilibrar inovação com responsabilidade ambiental.
Fonte
Fonte: G1