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Como Reviver Centro acelera obras em Ipanema

By Iris Andrade

Reviver Centro impulsiona verticalização em Ipanema e Copacabana

O programa de revitalização do centro do Rio, conhecido como Reviver Centro, está provocando efeitos na Zona Sul. Construtoras que investem no Centro recebem uma bonificação que permite ampliar a área construída em bairros vizinhos, com regras mais flexíveis, desde que paguem uma taxa de valorização. Em quatro anos, foram autorizados 34 projetos nesses dois bairros, Ipanema e Copacabana.

Números-chave do impacto

  • 28 licenças em Ipanema
  • 6 licenças em Copacabana
  • Total de 101 mil metros quadrados de bônus emitidos
  • Desse total, cerca de 22,4 mil m² já usados na Zona Sul
  • Projetos em prática substituíram edifícios antigos por residenciais de diferentes formatos

Principais projetos e mudanças por bairro

Em Ipanema, os empreendimentos aproveitam o potencial de uso de bônus para erguer edifícios mais altos sobre imóveis anteriores, incluindo áreas tombadas que serão integradas a novas estruturas. Um dos destaques é o Brix Ipanema, já em implantação, com oito apartamentos e duas coberturas. Em Prudente de Morais, áreas de casas tombadas serão preservadas parcialmente e ganharão prédios de até 10 andares com unidades entre 41 e 66 m². Outra frente é o Tempo Ipanema, com 16 unidades de até 382 m² cada, distribuídas em duas por andar. Já o GOA Ipanema Studios, na Rua Barão de Jaguaribe, prevê oito andares com 34 residenciais de 32 a 57 m², com valores a partir de cerca de R$ 1,4 milhão.

Em Copacabana, a Rua Cinco de Julho receberá um prédio de 13 andares com 78 unidades, sendo 64 estúdios. Na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, está em licenciamento um residencial de 14 andares com 55 unidades, com áreas de até 69 m². Além disso, o retrofit do Edifício A Noite, em funcionamento na Praça Mauá, gerou dois projetos adjacentes: um na Tonelero, em Copacabana, e outro na Prudente de Morais, em Ipanema, com montagem de 71 unidades (dez andares, terraço) naquele último endereço.

Preservação do patrimônio e impacto ao tecido urbano

Algumas casas históricas foram mantidas parcialmente ou incorporadas aos novos empreendimentos, preservando elementos do passado em meio ao adensamento. Em Prudente de Morais, uma casa tombada permanecerá, e parte de uma outra residência tombada em Ipanema integrará o novo conjunto, com áreas de convivência, academia e minimercado previstos. A demolição de imóveis históricos tem sido tema de debate entre moradores, que apontam a perda de árvores e mudança no traço característico dos bairros.

Debate entre moradores e setor imobiliário

Enquanto parte da população expressa preocupação com a transformação da paisagem e com a retirada de árvores, empresários do setor ressaltam que o Reviver Centro cria uma fonte adicional de receita para as construtoras, abrindo margem para oferecer imóveis com valores mais competitivos. O debate sobre o equilíbrio entre revitalização e preservação histórica permanece ativo entre moradores, especialistas e gestores públicos.

Contexto legal e funcionamento do bônus

A bonificação, chamada de Operação Interligada, funciona assim: quem constrói ou adapta prédios para moradia no Centro tem direito a construir a mesma área em outros bairros, com regras mais generosas, pagando uma taxa pela valorização do imóvel. O benefício pode ser utilizado em até dez anos e pode ser distribuído entre diversos projetos. Em muitos casos, o ganho permite que bairros da Zona Sul recebam edifícios com alturas permitidas apenas por meio da bonificação.

Um exemplo citado pelo movimento de implementação envolve o Edifício A Noite, cuja bonificação resultou em projetos na Tonelero (Copacabana) e Prudente de Morais (Ipanema), com densidade ampliada e unidades que variam de estúdios a dúzias de metros quadrados.

Casos específicos e percepção local

Entre os exemplos já consolidados, o Brix Ipanema aparece como uma das poucas obras já habitadas. Moradores relatam a surpresa de inaugurações recentes, enquanto outros destacam que mudanças estruturais podem ocorrer com a verticalização de áreas vizinhas. A verticalização também desperta dúvidas sobre como preservar a memória urbana, já que áreas que antes eram de uso residencial passam a abrigar empreendimentos com maior adensamento.

O Reviver Centro, portanto, continua gerando transformações perceptíveis na paisagem da Zona Sul, ao mesmo tempo em que alimenta o debate sobre preservação do patrimônio, densidade urbana e qualidade de vida nos bairros que cercam o centro do Rio.

Fonte: O Globo

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