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Como a iniciativa privada transforma sustentabilidade em negócio lucrativo

By Iris Andrade

Setores empresariais enxergam na sustentabilidade uma oportunidade de negócios

Nossa relação com o meio ambiente e os impactos das mudanças climáticas têm se tornado cada vez mais evidentes no cotidiano. Fenômenos como secas prolongadas, aumento dos eventos climáticos extremos e o desaquecimento global reforçam a necessidade de ações concretas. Segundo o relatório do Fórum Econômico Mundial de 2025, a maioria dos riscos globais de maior gravidade relacionados ao meio ambiente aponta para uma urgência: incorporar a sustentabilidade às estratégias de negócio.

Nesse cenário, empresas de diversos setores estão repensando suas operações para que a sustentabilidade deixe de ser apenas uma responsabilidade social e se torne um diferencial competitivo. Muitas delas vêm adotando a inovação, a governança eficiente e o impacto positivo como elementos centrais de suas melhorias contínuas.

Casos de sucesso e estratégias implantadas

Um exemplo marcante é a trajetória da Ambev, que há 25 anos integra a sustentabilidade à sua gestão. Através de uma estrutura dedicada, a companhia monitora indicadores de eficiência hídrica e energética, além de investir em tecnologias que reduzem o uso de recursos naturais. Como resultado, em 2024, a Ambev alcançou a menor média de consumo de água em sua história no Brasil, com uma redução superior a 50% nos últimos 15 anos.

De acordo com Luiz Gustavo Talarico, Head de Sustentabilidade da empresa, a estratégia envolve ações desde a origem dos ingredientes até a disposição final das embalagens, sempre com foco em inovação contínua e na conexão com a sociedade. Além disso, a companhia promove parcerias com ONGs e associações ambientais para fortalecer o impacto positivo de suas ações.

A importância da agricultura regenerativa

Outro aspecto relevante no cenário da sustentabilidade empresarial refere-se às práticas agrícolas regenerativas, que visam a conservação do solo, a resiliência às mudanças climáticas e a redução das emissões de gases de efeito estufa. Apesar de ainda enfrentarem desafios regulatórios e de escalabilidade, essas técnicas vêm ganhando espaço na agenda do setor agrícola e das indústrias que dependem de matérias-primas sustentáveis.

Especialistas apontam que a agricultura regenerativa pode ajudar na recuperação de áreas degradadas, oferecer uso mais sustentável de recursos e promover a biodiversidade. No entanto, a ausência de regulamentação clara e o risco de greenwashing ainda dificultam sua ampla adoção.

O papel das empresas e inovação

Para empresários e gestores, incorporar a sustentabilidade ao modelo de negócio é uma oportunidade de transformar compromissos ambientais em resultados concretos. Investimentos em soluções inovadoras, como sistemas digitais de monitoramento e acompanhamento por satélite, têm permitido às companhias agir de forma mais responsável e eficiente.

Projetos de aceleração de startups voltadas para soluções socioambientais, como o programa 100+Labs, demonstram o potencial de fomentar negócios inovadores e escaláveis nesse campo. A ideia é criar uma cadeia de impacto positivo que envolva toda a sociedade e incentive o setor privado a liderar mudanças importantes.

Decisões presentes, impacto futuro

O momento atual exige das empresas uma postura proativa na adoção de práticas sustentáveis. Assim, ao colocar a estrutura e recursos à disposição de ações concretas, os negócios poderão não apenas contribuir para o enfrentamento das questões ambientais, mas também obter uma vantagem competitiva no mercado.

Segundo analistas, essa mudança de paradigma é fundamental para reduzir impactos, garantir a perenidade dos recursos naturais e construir um futuro mais sustentável e responsável para todos.

Fonte: Folha de S.Paulo

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