Como a educação falha afeta a mão de obra
By Iris Andrade
Falta de mão de obra no Brasil aponta para falhas na educação
Santos, 20 de setembro de 2025 — no 12º Summit da Construção Civil, especialistas destacaram que a carência de trabalhadores qualificados atinge não apenas o setor, mas também outros segmentos estratégicos da economia brasileira. O tema foi debatido no encerramento do evento, com a participação de especialistas que associaram o problema a falhas no sistema educacional.
Diagnóstico: educação deteriorada como raiz do problema
O palestrante Fernando Schüler, cientista político, curador do projeto Fronteiras do Pensamento e professor do Insper, afirmou que a dificuldade de formar mão de obra qualificada decorre de uma política educacional ineficiente. Segundo ele, a qualidade da educação pública estatal no Brasil está comprometida, o que impacta diretamente a formação de capital humano técnico.
Dados do Pisa e o retrato de mais de uma década
Para embasar a avaliação, Schüler citou dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), coordenado pela OCDE. A avaliação, aplicada a estudantes de 15 anos em Literatura, Ciências e Matemática, envolve mais de 80 países. Segundo os resultados apresentados, o desempenho brasileiro em 2022 permaneceu próximo ao registrado em 2009, com uma leve queda: Literatura 403 pontos (2009: 405), Ciências 410 (2009: 412) e Matemática 379 (2009: 386).
Implicações para a economia e a urgência da resposta
Schüler ressaltou que o quadro representa uma estagnação de mais de uma década e precisa ser tratado como uma questão urgente. “Estamos diante de um problema que exige atuação conjunta de municípios, estados, União e sociedade, sob a perspectiva de políticas públicas mais eficientes para a educação”, afirmou.
Impactos no setor da construção e em setores estratégicos
Durante o debate, ficou claro que a escassez de profissionais de alto nível técnico compromete a continuidade de obras e a competitividade da construção civil, além de repercutir em outros setores considerados estratégicos para o desenvolvimento do País.
Fonte: A Tribuna