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Como a arquitetura africana molda a arte

By Iris Andrade

Arquitetura africana e modos de vida servem de trincheira para artistas no Festival Artes Vertentes, em Tiradentes

Construções sustentáveis, relações com a natureza e organização comunitária aparecem como heranças de povos africanos que moldam o trabalho de artistas e pesquisadores na 14ª edição do Festival Artes Vertentes, realizado em Tiradentes, Minas Gerais. A programação acompanha também a Temporada França-Brasil, destacando memória, ancestralidade e resistência ao longo de várias cidades.

Foco do festival e trilha de pesquisa

A mostra busca dialogar entre três continentes conectados pela história — América, África e Europa — através de propostas artísticas que articulam saberes espirituais, arquitetura e formas de vida coletivas. A edição deste ano prevê atividades na cidade-polo de Tiradentes, com desdobramentos em São João del Rei e Bichinho, incluindo pilotos de cinema com temáticas de memória e resistência. A maior parte da programação é gratuita.

A poeta e artista Wendie Zahibo

Entre os convidados está a poeta, fotógrafa e colagista Wendie Zahibo, que investiga as heranças espirituais e arquitetônicas de povos africanos e da diáspora, atuando no Brasil, nos EUA, na Costa do Marfim e em Guadalupe (Caribe). Para Zahibo, a maneira como diferentes comunidades habitam territórios oferece lições sobre sustentabilidade e pode orientar novas leituras de arquitetura. A artista, nascida em Marselha (França), tem pai da Costa do Marfim e mãe da República Centro-Africana, estudou design em Chicago e na Sorbonne, e hoje desenvolve trabalhos a partir de Guadalupe.

“Masonn reúne saberes espirituais e traços arquitetônicos de diversas regiões para favorecer uma conversa sobre formas de vida mais sustentáveis. A ideia é abrir espaço para pensar novas práticas de arquitetura que conectem o passado ao presente.”

O projeto masonn, iniciado em 2022, atua como plataforma de transmídia que envolve artistas, performances, colagens, instalações e artes visuais, com o objetivo de reunir conhecimentos ancestrais para configurar novas possibilidades de convivência com o ambiente.

Perspectivas sobre globalização e futuro

Em entrevista, Zahibo apontou que grandes encontros internacionais, como a COP 30 a ser realizada no Brasil, podem ampliar a visibilidade de modelos de vida alternativos. A artista defende que a globalização precisa incluir políticas que deem voz às mulheres, mulheres negras, indígenas, imigrantes e à classe trabalhadora, sugerindo uma mesa ampla de discussão para construir um futuro coletivo.

Imaginação, educação e acesso à arte

Zahibo reforça que o acesso à produção artística precisa ser democrático, começando pelas escolas e espaços comunitários. Em suas palavras, toda criança merece um espaço para sentir que pode transformar o mundo, fortalecendo a cidadania e a autoconfiança. Ela também destaca a imaginação como um músculo a ser exercitado, capaz de abrir caminhos para uma cultura mais inclusiva e representativa.

Outros protagonistas e o fortalecimento do coletivo

  • Dinho Araújo, artista e educador maranhense, enfatiza a centralidade do trabalho coletivo e da articulação entre artistas, universidade e espaços culturais da cidade de São Luís. Para ele, o coletivo funciona como uma aliança que sustenta memória ancestral e fortalecer as lutas políticas no âmbito cultural.
  • Deri Andrade, pesquisador, curator e jornalista, destaca a importância de mapear e divulgar artistas negros por meio de iniciativas como o Projeto Afro, que congrega e apresenta esse conjunto de criadores, ampliando a visibilidade da produção negra no Brasil.

Programação e acesso

A 14ª edição do Artes Vertentes propõe um diálogo entre as tradições artísticas e as novas práticas, com atividades que discutem memória, ancestralidade e resistência. A programação percorre Tiradentes até o dia 21, com ações também em São João del Rei e Bichinho, incluindo mostras de cinema. A maior parte das atividades é gratuita, incentivando o acesso da comunidade.

Fonte: Agência Brasil

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