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Cearenses abandonam poupança para imóveis

By Iris Andrade

Queda no financiamento imobiliário com poupança atinge o Ceará com intensidade superior à média nacional

Entre janeiro e setembro de 2025, o Ceará registrou uma retração de cerca de 25% no número de unidades imobiliárias financiadas com recursos da poupança, quando comparado ao mesmo período de 2024. O boletim divulgado pela Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) aponta que, no Ceará, foram financiadas 6.197 unidades nos primeiros nine meses do ano, contra 8.228 em 2024.

Valores financiados caem quase 1/5

O montante financiado no período foi de aproximadamente R$ 2,2 bilhões, uma queda de 18% em relação aos R$ 2,7 bilhões anotados no ano anterior. Os dados destacam uma mudança de perfil no mercado, com a poupança perdendo cada vez mais participação nesse tipo de financiamento.

Panorama nacional

Em âmbito nacional, a retração também foi expressiva, com queda de 20% nas unidades contratadas e de 17% no valor financiado com recursos da poupança. Economistas e representantes do setor associam o movimento às altas taxas de juros e às mudanças no comportamento de investimentos da população.

Quem explica o cenário

Patriolino Dias de Sousa, presidente do Sinduscon-CE, atribui a queda ao ambiente de crédito brasileiro, marcado por juros elevados. Para ele, mesmo com a redução de financiamentos com poupança, o mercado não deve entrar em retrocesso, pois há demanda por moradias e novas fontes de financiamento ganham espaço.

Especialistas também apontam para uma gradual mudança no perfil de financiamento. Pedro Leão Bispo, professor de MBAs da FGV, aponta que a poupança vem perdendo importância na origem de recursos para imóveis, com saídas maiores que entradas na poupança em meses recentes. Ao mesmo tempo, o uso de alternativas como FGTS e LCI (Letras de Crédito Imobiliário) tem ganhado força, contribuindo para manter o ritmo de obras ao redor do país.

Impacto e perspectivas no Ceará

Mesmo com a queda nos financiamentos com poupança, o mercado imobiliário cearense continua em expansão, com novos lançamentos e boa absorção de unidades. Observadores destacam que o setor tem se adaptado às novas fontes de financiamento e que há déficit de moradias, além de programas direcionados à baixa renda que ajudam a manter o fluxo de obras.

O movimento regional, segundo pesquisadores, foi mais acentuado do que a média nacional, refletindo particularidades locais do crédito e do custo de dinheiro. Analistas ressaltam, porém, que o clareamento de opções de financiamento deve sustentar a atividade no curto e médio prazos, mesmo com a poupança perdendo maior participação nesse mercado.

Dados reforçam ainda que o crédito com recursos do FGTS atingiu patamares recordes em 2024, com moldes de financiamento ampliados, enquanto o movimento de Saque-Aniversário e outras modalidades do setor público (LCI, entre outras) passam a cumprir papel maior na sustentação de obras e de acesso à moradia.

Notas sobre o mercado local

Apesar da retração, o Ceará continua a apresentar capacidade de lançamento de novas unidades, com boa demanda de absorção. O setor ressalta que fatores como o FGTS e programas de moradia popular devem seguir atuando como motores da construção, ao menos no curto prazo.

O quadro regional é monitorado pelo mercado e por autoridades locais, que acompanham a evolução das condições de crédito e o impacto de políticas públicas sobre o setor.

Fonte: Diário do Nordeste (com dados da Abecip)

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