CBIC discute estratégias que podem transformar a construção civil
By Iris Andrade
Reunião do Conselho de Administração da CBIC destaca temas estratégicos para o setor da construção civil
Nesta semana, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) realizou em Aracaju (SE) uma importantíssima reunião do seu Conselho de Administração, reunindo líderes empresariais, especialistas e representantes do setor público. O encontro abordou questões relevantes que impactam diretamente o desenvolvimento da construção civil no país.
Na abertura, o presidente da CBIC, Renato Correia, falou sobre avanços institucionais e parcerias estratégicas, como o acordo com o Banco de Brasília (BRB) para investimentos em inovação e tecnologia. Ele também frisou a importância de indicadores regionais para apoiar as empresas em diferentes estados brasileiros.
Um dos principais pontos discutidos foi a nova modelagem para o financiamento habitacional, utilizando recursos oriundos da poupança. Ely Wertheim, vice-presidente da Área Imobiliária da CBIC, e Felipe Pinheiro, do Banco Central, apresentaram atualizações do projeto. Wertheim destacou a necessidade de manter o foco na preservação do direcionamento de recursos ao mercado imobiliário, mesmo diante do cenário de juros altos.
Segundo Wertheim, mudanças estruturais devem ser feitas com cautela, levando em conta a conjuntura econômica:
- “O movimento do Banco Central de pensar o futuro é importante, mas o setor está enfrentando uma alta de juros que torna o crédito mais caro. Nossa preocupação é garantir que a poupança continue sendo direcionada ao financiamento imobiliário.”
Já Pinheiro reforçou que o novo modelo intensificará a fiscalização das instituições financeiras, buscando garantir que os recursos cheguem efetivamente ao mercado de construção:
- “A proposta não elimina o direcionamento, mas torna as obrigações mais rigorosas, garantindo transparência e continuidade do financiamento de obras.”
Progresso na classificação de atividades sustentáveis
Nilson Sarti, vice-presidente de Meio Ambiente e Sustentabilidade, apresentou os avanços no desenvolvimento da Taxonomia Sustentável Brasileira. Essa iniciativa visa estabelecer uma classificação de atividades econômicas alinhadas a critérios ambientais, sociais e climáticos, promovendo maior acesso a financiamentos de forma transparente.
De acordo com Sarti, a implementação dessa taxonomia será um marco para o setor, preparando as empresas para atender às novas exigências e melhorar a competitividade:
- “A classificação orientará investimentos e facilitará o acesso a linhas de crédito com condições melhores. As empresas precisam se adaptar para aproveitar esses benefícios.”
Alterações nas regras do programa Minha Casa Minha Vida
O vice-presidente de Habitação de Interesse Social, Clausens Duarte, apresentou as principais mudanças nas Portarias nº 488 e 489, publicadas em maio de 2025. Essas alterações trazem novas possibilidades, mas também desafios na gestão e aplicação dos recursos destinados ao programa habitacional.
Segundo Duarte, a gestão eficiente será essencial para ampliar a produção de unidades habitacionais e atingir as metas do programa:
- “Precisamos aprimorar a transparência e a fiscalização dos recursos para que os objetivos do Minha Casa Minha Vida sejam alcançados.”
Análise do cenário político e econômico para o setor
Leonardo Barreto, especialista em política, alertou para a influência do período pré-eleitoral na economia e na tomada de decisões de governo. Ele reforçou a necessidade de estratégia por parte das empresas para amenizar riscos e aproveitar oportunidades.
Impactos das medidas tarifárias dos EUA
Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, abordou as consequências das recentes medidas tarifárias norte-americanas sobre produtos brasileiros. Ele destacou que o diálogo com o governo americano é fundamental para minimizar efeitos negativos e preservar acordos comerciais.
Encerramento e perspectivas futuras
Ao concluir, Renato Correia reforçou o papel da CBIC como espaço de debate alto nível, onde as lideranças nacionais discutem estratégias de fortalecimento do setor. Ele enfatizou o compromisso de unir esforços para promover estabilidade, inovação e sustentabilidade na construção civil brasileira.
A reunião mostrou-se um momento crucial para aprimorar as ações do setor, fortalecer parcerias e promover a troca de conhecimentos que podem acelerar o desenvolvimento da construção no Brasil.