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Causas da queda do IFIX em julho e oportunidades para investidores

By Iris Andrade

Queda do IFIX em julho revela tendência de cautela no mercado de fundos imobiliários

Nos últimos dias, o índice que mede o desempenho dos fundos imobiliários negociados na B3, conhecido como IFIX, tem apresentado uma trajetória de declínio, refletindo um cenário de maior apreensão entre os investidores brasileiros.

Após terminar o primeiro semestre do ano com sinais de recuperação, o indicador passou a registrar perdas consecutivas em julho. Na segunda-feira (21), por exemplo, o índice caiu pelo quinto pregão seguido, chegando a sua cotação mais baixa em semanas.

Contexto de aversão ao risco e fatores macroeconômicos

De acordo com analistas de mercado, esse movimento não é exclusivo do setor imobiliário, mas parte de uma tendência mais ampla de aversão ao risco que domina o mercado financeiro nacional e internacional. Caio Nabuco de Araújo, especialista da Empiricus Research, destacou que fatores políticos internos, tensões globais, tarifas dos Estados Unidos e incertezas fiscais contribuem para esse cenário de maior cautela.

Ele reforça que esse movimento de retração também afetou o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, que recuou 5% nas últimas duas semanas, saindo de 139.490 para 134.167 pontos. Já o IFIX passou de 3.491,69 pontos, próximo à máxima histórica, para 3.443,94 pontos, representando uma queda de 1,5%.

Perspectivas e oportunidades de investimento

Apesar da fase de retração, especialistas destacam que o cenário oferece oportunidades de compra, principalmente em setores de lajes corporativas, que permanecem com os preços mais descontados atualmente. Caio Nabuco recomenda uma análise criteriosa e a escolha de ativos com maior potencial de recuperar valor no médio prazo.

Adriana Ricci, fundadora da SHS Investimentos, reforça a importância da diversificação em momentos de incerteza. Para ela, combinações inteligentes de ativos podem oferecer resiliência. “Quando a Bolsa oscila, a renda fixa oferece estabilidade. Quando o dólar sobe, o ouro pode compensar perdas. Essa combinação ajuda a equilibrar a carteira”, explica.

Além disso, ela recomenda a atenção aos fundos imobiliários, que continuam sendo uma alternativa atraente por gerarem renda mensal, isenção de imposto de renda para pessoa física e exposição a setores reais como logística, escritórios e shoppings. Segundo Ricci, FIIs de galpões ou vinculados à inflação (IPCA) têm se mostrado boas opções, especialmente devido à alta dos contratos atrelados ao CDI.

Impacto de possíveis mudanças fiscais

Sobre as discussões atuais no Congresso Nacional acerca de uma possível taxação sobre os dividendos de fundos imobiliários a partir de 2026, os especialistas afirmam que esse risco já era conhecido e não é o principal fator responsável pelo momento de retração. A Medida Provisória publicada pelo governo no início de julho prevê uma tributação de 5% sobre os rendimentos, ainda em tramitação no Legislativo, com previsão de entrada em vigor em janeiro de 2026.

Visão de longo prazo e estratégia de mercado

Segundo Caio Nabuco, essa fase de volatilidade pode ser uma oportunidade de adquirir bons fundos a preços mais atrativos. Contudo, recomenda-se cautela e uma avaliação cuidadosa dos setores em crise, especialmente na rentabilidade dos contratos e na qualidade dos ativos.

Adriana Ricci destaca que momentos de incerteza reforçam a importância da diversificação, permitindo que os investidores resistam às oscilações de curto prazo. Para ela, fundos imobiliários continuam sendo uma porta de entrada interessante, pois além de gerar renda mensal, possuem vantagens como a isenção de IR e a oportunidade de investir em setores que tendem a se beneficiar de movimentos inflacionários ou econômicos específicos.

Ela aconselha atenção especial aos fundos de recebíveis, que oferecem maior estabilidade diante do cenário de alta do CDI e da inflação.

Conclusão

Embora o cenário atual apresente desafios no mercado de fundos imobiliários, a análise de especialistas mostra que há espaço para oportunidades significativas, principalmente para investidores com perfil de longo prazo e que busquem diversificação. A combinação de ativos com diferentes comportamentos é vista como a estratégia mais segura para enfrentar momentos de incerteza.

Fonte: Money Times

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