Casarão da Benfica renova e abre portas
By Iris Andrade
Casarão da Benfica: patrimônio do Recife recebe revitalização e se abre à participação da comunidade
No coração do bairro da Madalena, em Recife, o Casarão da Benfica, prédio do século XIX, passa por um processo de requalificação promovido pela Associação do Ministério Público de Pernambuco (AMPPE). O objetivo é preservar a arquitetura original ao mesmo tempo em que transforma o espaço em um ambiente de convivência, cultura e acesso público.
Um marco histórico de dois séculos
O imóvel, conhecido popularmente como Casarão da Benfica, tem registros que remontam a 1857, quando era propriedade do comerciante Cândido Alberto Sodré da Motta. Segundo documentos da época, a construção ocupava um terreno de dimensões expressivas, com várias dependências, dispensa, cozinha e um mirante. Ao longo dos anos, o casarão acolheu diversas figuras da história local e já serviu a diferentes funções, incluindo a residência de familiares de autoridades e, em algum período, a instalação de atividades acadêmicas.
Em 1997, o prédio recebeu o título de Imóvel Especial de Preservação (IEP), reconhecendo sua importância para o patrimônio histórico, artístico e cultural da cidade. O município, então, passou a responsabilizar a proteção do bem, que foi adquirido pela AMPPE em 1998 e ocupou o espaço de forma efetiva a partir de 2001.
Da preservação à renovação
O processo de revitalização busca valorizar a identidade arquitetônica do casarão. O arquiteto responsável, Eduardo Lira, explica que a intervenção visa uma reformulação que destaque as intervenções ao longo do tempo sem apagar a essência original do edifício. Entre as mudanças, está a retirada de forro no auditório para revelar as tesouras de madeira da cobertura, bem como a reativação de claraboias centrais, que haviam sido cobertas.
Havia também ajustes no piso e em elementos decorativos: em algumas áreas, pisos de madeira tradicionais foram recuperados, enquanto noutros espaços foi possível manter ladrilho hidráulico. Em contrapartida, peças de porcelanato e revestimentos de época foram substituídos para respeitar a história do imóvel.
Espaços de encontro, educação e cultura
O objetivo central da reforma é transformar o casarão em um espaço público de convivência e de debates. O auditório deverá abrigar palestras, encontros com a comunidade acadêmica e parcerias com universidades, promovendo um fluxo constante de atividades socioculturais.
Além disso, a obra contempla melhorias funcionais e ambientais para garantir acessibilidade e conforto. Entre as ações estão a equalização de diferentes níveis do interior, a implantação de soluções de acessibilidade e a substituição de pavimentos por opções que facilitem a drenagem de água e ampliem áreas ajardinadas.
Visão para a cidade
A AMPPE pretende que o Casarão da Benfica seja um patrimônio de toda a cidade, aberto para visitação e usufruto do público. O projeto, que integra as ações para comemorar os 80 anos da associação, prevê continuidade de reformas estruturais e atividades socioculturais até 2026. Embora o desafio financeiro seja destacado pela gestão como o maior obstáculo, a mensagem é de construção gradual de um espaço público plural.
Com as mudanças, a AMPPE mira transformar o casarão em um lugar onde a comunidade possa conhecer, discutir e contribuir para temas relevantes à sociedade pernambucana, mantendo o prédio como um elo entre passado, presente e futuro.
Conheça o Casarão da Benfica
- Fachada imponente, jardim com espécies como flamboyants, ipês e pau-brasil.
- Elementos originais preservados ou recuperados, incluindo madeira e detalhes de época.
- Auditório que deverá funcionar como palco de debates, palestras e parcerias com a comunidade acadêmica.
- Ações voltadas à acessibilidade e à melhoria ambiental do espaço.