Campo Grande: Millennials lideram compras
By Iris Andrade
Mercado imobiliário de Campo Grande mantém equilíbrio com sinais de otimismo, diz Censo do 2º trimestre de 2025
Um estudo divulgado pelo Sinduscon-MS aponta que a capital sul-mato-grossense segue estável, com demanda aquecida e estoque sob controle. O relatório destaca a continuidade do ritmo de lançamentos e vendas, com o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) ganhando relevância entre os empreendimentos anunciados.
O levantamento, apresentado na última segunda-feira, indica que o mercado imobiliário de Campo Grande apresenta números positivos, mas também aponta necessidade de ampliar a oferta de novos empreendimentos para evitar eventual escassez. Além disso, destaca o aumento do interesse de compra entre as gerações mais jovens.
Geração millennial impulsiona o interesse pela casa própria
Segundo Anderson Gonçalves, head do Centro-Oeste e Norte da Brain, empresa responsável pela pesquisa, o grupo de jovens — especialmente a geração millennial — aparece como principal motor de demanda. Eles buscam independência financeira, casar ou constituir um lar próprio, reagindo ao benefício de possuir imóveis.
“A geração mais nova está com maior apetite para adquirir um imóvel. Eles desejam ter o seu espaço, o cantinho próprio, e esse movimento tem crescido bastante”, afirma. A valorização recente em Campo Grande também influencia a decisão de compra, com a percepção de que investir no mercado imobiliário é vantajoso no curto prazo.
O pesquisador ressalta que fatores externos, como a taxa de desemprego, também impactam o mercado. Com o desemprego em níveis baixos, mais pessoas estão em condições de investir na casa própria.
Mercado estável com perspectiva de continuidade no segundo semestre
Empreendimentos lançados
- A oferta de empreendimentos verticais tem mostrado estabilidade desde 2023, com uma média de 19 lançamentos por ano. Nos primeiros seis meses de 2024, Campo Grande abriu oito novos prédios; em 2025, foram lançados seis no mesmo período, mantendo o ritmo, mesmo com queda de 25%. Metade desses lançamentos é do MCMV, a outra metade, de alto padrão.
- Os lançamentos de unidades ficaram abaixo da média de 2024: 778 unidades em 2025 contra 948 em 2024 (redução de 17,9%).
- O destaque fica com o MCMV, que teve aumento de quase 140%, passando de 240 unidades em 2024 para 572 em 2025. Em termos de tipologia, 52% dos lançamentos são de dois dormitórios e quase 40% de três dormitórios.
Valor Geral de Vendas (VGV)
- O VGV total no 1º semestre de 2025 foi de cerca de R$ 509 milhões, ante R$ 669 milhões em 2024 (redução de aproximadamente 24%), ainda assim representinge um volume considerável de negócios.
- Vendas de unidades verticais somaram 935 no semestre, contra 1.477 em 2024. O MCMV manteve ritmo próximo ao do ano anterior, com 365 unidades vendidas até o momento, majoritariamente de dois dormitórios, gerando VGV próximo de R$ 780 milhões.
- Apesar da queda de 37,4% nas vendas de apartamentos, o mercado continua com tendência de crescimento para o segundo semestre, tradicionalmente mais ativo, aliado à redução gradual do estoque.
Escoamento do estoque
- Campo Grande registra alta absorção: se não houver novos lançamentos, estima-se que em até quatro meses restem poucas unidades no mercado.
- No segmento vertical, disponibilidade de apartamentos de um dormitório fica em torno de 8%; de três dormitórios, 11%. No segmento horizontal (loteamentos abertos, fechados e condomínios), aproximadamente 92% das unidades lançadas já foram vendidas, restando cerca de 8% em estoque.
- O analista aponta que, mantendo o ritmo atual, pode ocorrer falta de produto imobiliário tanto no vertical quanto no horizontal sem novos lançamentos.
Preços por m²
- O preço médio do metro quadrado em Campo Grande subiu 14% no 2º trimestre de 2025.
- Compactos: em média R$ 14.970/m²; média da cidade: R$ 10.133/m².
- Luxo: R$ 15.367/m²; super luxo atinge R$ 21.436/m²; alto padrão, R$ 13.835/m².
- Faixas mais acessíveis: econômicos R$ 5.764/m²; standard R$ 7.528/m²; médio R$ 9.050/m².
Dados nacionais e motivadores da compra
Intenção de compra no Brasil
- A intenção de comprar imóveis no Brasil atingiu o maior patamar da série histórica, com 49% da população manifestando interesse em adquirir um imóvel. Esse índice supera o registrado em 2020, durante a pandemia, que era de 46%.
- Campo Grande, porém, apresenta indicador ainda mais forte: 70% da população sinaliza intenção de compra, acima da média nacional.
Aumento de interesse por apartamentos e perfil de compra
- 30% dos entrevistados pretendem comprar entre seis meses e um ano; 46% planejam comprar em prazo superior a um ano e meio.
- A composição entre tipos de imóveis mudou nos últimos anos: hoje, 41% preferem residências horizontais (casas), 46% verticais (apartamentos), demonstrando uma tendência de equilíbrio entre horizontais e verticais.
Motivações para a compra
- Quase 30% dos potenciais compradores têm como principal motivação deixar de pagar aluguel.
- As motivações se distribuem entre não pagar aluguel (18%), trocar por uma casa maior (17%) e investir para alugar (12%).
Perfil dos entrevistados e metodologia
- A pesquisa foi realizada em julho e contou com 1.200 interessados, entre 21 e 70 anos, com renda acima de R$ 2,5 mil. Desse total, 40% possuem renda igual ou superior a R$ 10 mil.
Observação final
O levantamento traz um panorama de dinamismo com perspectiva de continuidade de movimento positivo para o mercado imobiliário de Campo Grande, desde que haja oferta suficiente para acompanhar a demanda crescente, especialmente entre jovens e famílias que buscam casa própria.
Fonte: Jornal Midiamax