Skip to content

BYD em monotrilho: retorno ainda não chega

By Iris Andrade

BYD investiu US$ 1 bi em monotrilhos. Mas retorno ainda não saiu do papel

A BYD destinou quase US$ 1 bilhão ao desenvolvimento do sistema SkyRail, uma rede de monotrilhos anunciada como a solução verde do futuro. Apesar do investimento e da alocação de mais de 1.000 engenheiros, as obras e a implementação em diversas cidades ficaram pelo caminho ou avançaram em ritmo muito lento.

Historico da aposta e o que ficou por fazer

Desde o lançamento do SkyRail em 2016, Wang Chuanfu, fundador da BYD, defendeu a ideia de que o monotrilho poderia transformar o transporte urbano com custos menores e prazos mais rápidos do que o metrô tradicional. Em entrevista de 2017, ele chegou a projetar a implantação do sistema em mais de 200 cidades na China, vislumbrando um mercado multibilionário.

No entanto, a maior parte das iniciativas esbarrou em restrições orçamentárias locais e no aperto de contas dos governos. Progresso significativo ficou concentrado em poucos locais na China, enquanto diversas frentes não avançaram ou foram interrompidas.

Desafios na China

  • Em 2021, Pequim suspendeu aprovações para novos projetos de infraestrutura ferroviária urbana para conter o aumento da dívida local, além de impor limites de receita e de tamanho populacional para novos empreendimentos.
  • O caso de Bengbu, na Anhui, ilustra bem o cenário: embora a linha-teste do SkyRail tenha sido concluída em grande parte, a operação não foi autorizada por não atender aos critérios populacionais da política vigente.
  • Vários projetos de SkyRail ou SkyShuttle foram deixados de lado ao longo dos anos, com apenas algumas instalações ainda em operação nos atuais como a sede da BYD em Shenzhen e trechos em Xi’an e Yinchuan.
  • Estações e trens em cidades como Anyang (Henan) e Guilin chegaram a ficar parados ou correndo risco de deterioração, conforme vídeos e conteúdos divulgados em plataformas de redes sociais na China.

Avanços no exterior e no Brasil

O maior progresso internacionalmente tem ocorrido no Brasil, onde a BYD também mantém operações industriais. A empresa montou uma fábrica de veículos elétricos na Bahia. Um contrato para monotrilho com a cidade de Salvador foi cancelado em 2023, em meio ao aumento de custos.

Já na perspectiva brasileira, o desenvolvimento da linha 17 da rede de monotrilhos em São Paulo permanece em andamento, com previsão de início de operação para 2026, de acordo com veículos da imprensa local. Este avanço indica que, embora o retorno no papel ainda não tenha se materializado, a BYD mantém iniciativas para ampliar a presença no país.

Questões de custo, tempo e liquidez

Entre os atrativos citados pela BYD, o SkyRail era apresentado como custo por quilômetro muito menor que o de uma linha de metrô e com prazos de construção consideravelmente mais curtos. Ainda assim, o custo total, a viabilidade econômica e a capacidade de manter o fluxo de caixa sob uma pressão de margens em queda para o segmento de veículos elétricos têm pautado o debate entre analistas e autoridades.

Mesmo com o desafio de tornar o SkyRail rentável, a BYD mantém a defesa de que há potencial tecnológico e de adoção futura para a solução, conforme apontado pela empresa em seus relatórios anuais. A história recente mostra que a persistência de Wang Chuanfu em defender propostas audaciosas continua a moldar a estratégia da companhia, mesmo diante de tropeços em escala global.

Conclusão

O investimento em monotrilhos da BYD permanece uma aposta ambiciosa que ainda não gerou o retorno esperado, especialmente fora de grandes mercados piloto. Enquanto partes da iniciativa encontram espaço de continuidade, outras frentes continuam sob avaliação, com o Brasil figurando como o principal polo de progresso recente.

Fonte: Bloomberg Línea

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *