Brasileiros fazem dívidas em nome de outros e surpreendem
By Iris Andrade
Um terço dos brasileiros utiliza o nome de terceiros para contrair dívidas, aponta pesquisa
Uma pesquisa recente revelou que aproximadamente 33% dos consumidores brasileiros já fizeram compras ou assumiram dívidas utilizando o nome de outra pessoa. Entre as formas mais comuns de empréstimo nesse modo, o uso de cartões de crédito aparece como o método predominante, sendo adotado por cerca de 20% dos entrevistados.
Segundo o levantamento, a maioria dessas operações é motivada pela necessidade de adquirir itens básicos do cotidiano, como alimentos e produtos essenciais. Apesar do risco de inadimplência, dados indicam que a maior parte dos envolvidos está conseguindo manter os pagamentos em dia.
Sinais de descontrole financeiro entre quem recorre a essa prática
Especialistas em finanças alertam que essa tendência é um sinal de dificuldades econômicas, principalmente quando há o estouro do limite do cartão de crédito ou do cheque especial. Aproximadamente 24,2% dessas pessoas relataram usar o limite máximo de seus cartões ou, por não conseguirem empréstimos convencionais, recorrerem ao nome de terceiros para suas compras.
De acordo com Aline Soaper, educadora financeira, esse comportamento muitas vezes indica uma crise financeira pessoal. “Quando uma pessoa ultrapassa o limite do cartão, ela provavelmente está ultrapassando seus gastos habituais. Isso leva ao endividamento e ao uso de empréstimos informais, muitas vezes sem aviso ao credor original”, afirma.
Quem são os principais credores na hora de pedir auxílio?
O estudo aponta que o núcleo familiar é o grupo mais frequentemente acionado para emprestar o nome em situações de necessidade. Entre os que compartilham essa prática, 25,6% recorrem ao cônjuge, 17,9% aos irmãos e 17,6% aos pais. Amizades e outros parentes também estão na lista, com cerca de 17% de uso.
Motivos por trás do empréstimo em nome de terceiros
- Compra de produtos básicos, como supermercado (25%)
- Compra de itens para os filhos (16,9%)
- Compra de presentes em datas comemorativas (14,6%)
- Pagamento de dívidas já existentes (18,3%)
Embora pareça uma saída rápida, especialistas ressaltam que essa prática pode gerar conflitos pessoais e financeiros. “Se quem empresta o nome não consegue receber de volta, a pessoa prejudicada pode precisar recorrer à Justiça, mas o processo costuma ser demorado e nem sempre garante a recuperação total do valor”, explica Merula Borges, especialista em finanças da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).
Recomendações para evitar endividamentos por uso do nome de terceiros
Para quem deseja manter as finanças sob controle, a orientação é priorizar o pagamento de contas essenciais, como água, energia, aluguel e saúde. Em caso de dificuldades, buscar alternativas como o planejamento financeiro, redução de gastos considerados supérfluos e aumento de renda, seja por meio de empreendedorismo ou capacitação profissional.
Além disso, é importante refletir antes de pedir ou aceitar empréstimos em nome de terceiros. Perguntas como “Posso pagar essa dívida se for necessário?” ou “Tenho condições de ressarcir o amigo no próximo mês?” servem como filtros para evitar problemas futuros.
O que fazer em caso de inadimplência por parte do credor?
Quando o amigo ou familiar não efetua o pagamento, a solução judicial é uma possibilidade, embora seja um caminho demorado e complexo. Reunir provas de que o débito foi realizado por terceiros pode ajudar em processos, mas, até a decisão final, o credor continuará responsável por quitar a dívida.
Por isso, especialistas recomendam cautela ao conceder ou solicitar empréstimos com nomes de terceiros. Muitas vezes, recusar de forma assertiva e buscar alternativas mais seguras evita tanto problemas financeiros quanto conflitos pessoais.
A pesquisa foi realizada via internet entre os dias 2 e 10 de janeiro de 2025, com uma amostra de 643 participantes brasileiros, residentes em capitais e com acesso à internet. A margem de erro é de 3,86 pontos percentuais, considerando um nível de confiança de 95%.
Sócio do estudo reforça que o contexto econômico, aliado às limitações para obter crédito formal, impulsiona essa prática de empréstimo informal, que, apesar de comum, carrega riscos que precisam ser avaliados com cautela.
Fonte: Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL)