Brasil em destaque entre emergentes; atenção à fiscalização garante sucesso
By Iris Andrade
Brasil demonstra força econômica, mesmo com desafios fiscais, segundo executivo do Barclays
O CEO do banco Barclays para a América Latina, Raul Martinez-Ostos, reforçou a visão otimista sobre a desempenho do Brasil em uma recente entrevista. Ele destacou que o país apresenta um ambiente de negócios sólido e bem diferenciado em relação a outros mercados emergentes, graças ao bom funcionamento de suas «regras do jogo» e à separação entre política e economia.
Perspectivas sobre o cenário econômico e fiscal no Brasil
Martinez-Ostos afirmou que, apesar de os riscos macroeconômicos serem uma preocupação, principalmente no que se refere à situação fiscal, o Brasil tem potencial para crescimento e recuperação robusta. Ele apontou que o país tem mostrado resiliência e uma gestão eficiente, com mercados internos fortes e um sistema financeiro aprofundado.
Segundo o executivo, a disciplina fiscal será crucial para garantir esse crescimento sustentável, embora ainda seja um grande desafio. Ele explicou que o Banco Central tem adotado medidas restritivas para controlar a inflação, enquanto os governos precisam consolidar suas contas públicas para evitar que a relação dívida/PIB continue aumentando.
O papel de atratividade dos países da região
Para Raul Martinez-Ostos, a América Latina, especialmente o Brasil, tem tudo para continuar atraindo recursos de investidores estrangeiros. Ele reforçou que há uma busca por oportunidades, e os países precisam oferecer motivos convincentes para que esses investidores permaneçam e ampliem seus investimentos, independentemente do ciclo econômico.
Futuro da operação do Barclays no Brasil
O CEO revelou que o objetivo da instituição no país é registrar transações inovadoras que agreguem valor real ao mercado. Ele deixou claro que o foco não é ser um banco comum em operações de emissão de dívidas ou abertura de capital, mas sim desenvolver soluções que promovam o crescimento sustentável do mercado financeiro local.
Impacto das tensões por tarifas e riscos geopolíticos na América Latina
Sobre as ações de Trump e os riscos no cenário internacional, Martinez-Ostos observou que, muitas vezes, os investidores estrangeiros veem de forma menos negativa a situação do Brasil em comparação aos locais. Ele destacou que o desempenho da economia brasileira tem sido forte, possibilitado por uma gestão que consegue separar política de negócios, garantindo uma maior resiliência à crise.
Ele ressaltou ainda que o Banco Central tem sido restritivo para combater a inflação, sendo essencial que os atuais e futuros governos reforcem a consolidação fiscal. Apesar de as tensões na relação dos EUA com outros países influenciarem o cenário global, ele acredita que há uma forte chance de o bloco norte-americano fortalecer sua posição e que o México, de modo particular, continuará sendo uma peça fundamental na estratégia comercial da região.
Desafios e oportunidades na América Latina
Martinez-Ostos pontua que, para que a região atinja um ritmo de crescimento mais elevado e sustentável, é fundamental reduzir a desconexão entre os objetivos do governo e as ações do setor privado. Para isso, é necessário criar um ambiente de negócios favorável, com projetos bem estruturados e atrativos para investidores nacionais e internacionais.
Ele salientou que, na prática, países como o México, Colômbia, Peru e Chile já vêm trabalhando na construção de parcerias público-privadas e na implementação de projetos de infraestrutura, saneamento, energia e turismo, considerados essenciais para o desenvolvimento regional.
Óptica sobre a política monetária nos EUA e a entrada de capitais em mercados emergentes
O executivo destacou que as taxas de juros nos Estados Unidos devem permanecer elevadas por um período prolongado, o que deve refletir na reação dos investidores. De acordo com ele, os mercados emergentes, incluindo o Brasil, têm se mostrado bastante atrativos diante da maior cautela global em relação ao dólar e aos ativos americanos, principalmente em um cenário de maior aversão ao risco.
A situação do Brasil no contexto internacional
Segundo Martinez-Ostos, o Brasil tem se destacado como uma das principais opções para os investidores, devido ao seu bom desempenho, à gestão eficiente e à estabilidade econômica relativa. Apesar das preocupações fiscais, o país demonstra uma capacidade de resistir às incertezas externas e de aproveitar as oportunidades de captação de recursos.
Setores de investimento e estratégia do Barclays no Brasil
Para o futuro, o banqueiro indicou que o foco será apoiar áreas como infraestrutura, energia e sustentabilidade. A intenção é contribuir com bancos locais, que já possuem uma capitalização forte, e atuar na captação de recursos e no crescimento estratégico. O setor imobiliário, mineração e transporte também estão entre as áreas de destaque.
Projetos de inovação e compromisso com o crescimento sustentável
Por fim, Raul Martinez-Ostos deixou claro que a estratégia do Barclays no Brasil é investir em negócios inovadores e de longo prazo, com a intenção de se consolidar como um parceiro líder em soluções financeiras sustentáveis. O banco busca atuar de maneira disruptiva, com foco em apoio a projetos de impacto social e ambiental, reconhecendo os sucessos das instituições locais, mas também oferecendo uma abordagem diferenciada.
Fonte: Exame