Boom imobiliário atrai investidores para SP e muda o mercado
By Iris Andrade
Investidores de fora fortalecem o mercado de imóveis em São Paulo, com foco em compactos e luxo
O mercado imobiliário da capital paulista vive um ciclo de alta impulsionado pela rentabilidade da locação de curto prazo. Compradores de outras regiões do Brasil e de países estrangeiros passam a mirar imóveis bem localizados na cidade, especialmente em nichos de alto padrão e de unidades compactas, abrindo caminho para novas dinâmicas de demanda.
Recordes de lançamentos e vendas elevam a percepção de valorização
De acordo com dados de consultorias de mercado, o volume de lançamentos em São Paulo atingiu patamares expressivos nos últimos 12 meses, com números próximos a 130 mil apartamentos apresentados e cerca de 138 mil unidades vendidas. O dinamismo é explicado pela procura por ativos que combinam localização privilegiada e oportunidades de rentabilidade, seja pela venda, seja pela locação de curta temporada.
Casos de incorporadoras em bairros nobres mostram o peso de clientes de fora
Projetos emblemáticos e operações de diferentes construtoras indicam a tendência. Em Itaim Bibi, o empreendimento Casa Brasileira teve um lote considerável de compradores que vieram de fora da cidade, elevando o preço por metro quadrado para patamares altos. No conjunto de negócios da Lucio, o Viscaya, com plantas amplas, registra que cerca de 30% dos clientes são de fora de São Paulo, com imóveis que chegam a margens de valor expressivas; o preço médio fica em torno de 70 mil reais por m².
Outro exemplo é o Enora, nos Jardins, que privilegia unidades residenciais de alto padrão com assinatura de designer renomado e foco em moradores de outras regiões do Brasil e do exterior. O preço de venda recorre a valores elevados por m², refletindo o posicionamento de luxo do projeto e a expectativa de retorno como ativo de reserva de valor.
Na linha de luxo, a Marquise Incorporações atua com empreendimentos na Vila Nova Conceição e nos Jardins, onde as unidades vão de plantas amplas a opções compactas. A presença em duas cidades diferentes gera demanda entre clientes que moram no Nordeste, no Centro-Oeste e no Norte do país, que veem nesses imóveis uma forma de diversificar o portfólio.
Para quem foca apenas em compactos, a One Innovation tem destacado que quase metade de seus clientes vem de fora de São Paulo, com atenção especial a bairros nobres como Itaim Bibi, Vila Nova Conceição, Moema, Pinheiros, Perdizes e Consolação. A busca pela localização é o principal critério entre os investidores desse segmento.
Portfólio com apelo internacional e estratégias de atração
Além das demandas nacionais, o mercado paulistano atrai investidores internacionais. A empresa Altum Estate foca em conectar estrangeiros a incorporadoras brasileiras, com a maior parte dos clientes morando fora do Brasil. O retorno de investimento no Brasil costuma superar o de muitos mercados, especialmente quando comparado a localidades com aluguel mais baixo ou custos de aquisição elevados.
Diversas estratégias de captação são utilizadas para vencer a distância física. Realidade virtual, jantares e apresentações presenciais em diferentes regiões do país ajudam a apresentar projetos de alto padrão a compradores que não visitam as unidades antes da compra. Esse conjunto de recursos busca tornar mais previsível a entrega dos empreendimentos e alinhar as expectativas dos investidores com a realidade do negócio.
Rentabilidade e tempo de retorno para quem investe no curto prazo
O cenário de rentabilidade para imóveis de aluguel de curta temporada mantém-se robusto. Dados do setor apontam que o aluguel residencial na capital tem apresentado aumentos de até 10% em um ano, com rentabilidade mensal desejável para investidores entre 1,2% e 1,5% do valor do imóvel, além da valorização de longo prazo. Em termos de retorno, a locação de curto prazo pode levar o retorno do investimento em torno de 8 a 9 anos, enquanto em mercados como Moscou esse período pode chegar a 25 a 30 anos.
Essa configuração atrai investidores de diferentes origens: brasileiros que buscam diversificar o portfólio e estrangeiros que veem nos imóveis paulistas ativos com maior potencial de valorização e rentabilidade estável, especialmente quando localizados em áreas combinando infraestrutura, transportes, cultura e negócios.
Concentração de demanda e importância da localização
Entre os compradores de estúdios e unidades compactas, a localização continua a ser o fator decisivo. Bairros como Itaim Bibi, Vila Nova Conceição, Moema, Pinheiros, Perdizes e Consolação aparecem entre os preferidos, onde a proximidade de negócios, cultura e serviços agrega valor ao ativo.
Em resumo, o momento de São Paulo mostra que o interesse por imóveis de compactos e de alto padrão não é exclusivo de moradores locais. A combinação de rentabilidade, reputação de incorporadoras com histórico e a atratividade de bairros nobres mantém o mercado aquecido, com investidores nacionais abrindo espaço para o capital estrangeiro.
Fonte: Estadão