Bolsa sobe com imóveis, serviços e bancos
By Iris Andrade
Ibovespa é impulsionado por índices imobiliário, serviços essenciais e bancos em 2025
O mercado acionário brasileiro tem mostrado forte fôlego em 2025, apoiado pela entrada de recursos estrangeiros e pela expectativa de cortes de juros em 2026. Três setores vêm liderando as altas do Ibovespa, enquanto alguns fatores externos modulam o ritmo das demais ações.
Desempenho setorial até novembro de 2025
- Índice Imobiliário (IMOB) registra alta de cerca de 69% até o dia 6 de novembro.
- Índice de utilidades públicas (UTIL) avança em torno de 54,8% no mesmo período.
- Índice de bancos (IFNC) sobe aproximadamente 41,6% ao longo do ano.
- Setores de agronegócio (Iagro) e de materiais básicos (Imat) apresentam desempenho negativo ou modesto; Iagro cai cerca de 5,9% e Imat sobe apenas 2,21% até 6 de novembro.
Em termos gerais, o Ibovespa já acumula queda ou ganho expressivo conforme o setor, com o indicador total registrando avance de cerca de 28% no ano até este momento.
Fatores que estão impulsionando o mercado
O impulso vem da combinação de maior fluxo de capitais estrangeiros para a bolsa brasileira e da expectativa de início de cortes na taxa básica de juros em 2026, fortalecendo a atratividade de ações no país. Analistas destacam ainda a liquidez elevada das ações, especialmente entre companhias consideradas menos sensíveis a ciclos econômicos.
Segundo Einar Rivero, CEO da Elos Ayta, o mercado imobiliário brasileiro ganhou fôlego no fim de 2024 com crescimento de lançamentos e vendas, gerando uma base favorável para 2025. A demanda por imóveis de baixa renda permanece resiliente, com parte dos consumidores migrando da locação para o financiamento habitacional.
Rodrigo Santoro, superintendente de renda variável da Bradesco Asset, ressalta que a liquidez das empresas do setor imobiliário tem ajudado a sustentar a performance, com foco em parcelas de financiamento que tendem a ser menos sensíveis às oscilações de juros.
Daniel Gewehr, estrategista-chefe de ações do Itaú BBA, aponta que a alta liquidez das empresas do setor favorece o desempenho, especialmente em nichos com demanda reprimida e em projetos de alto padrão que dependem menos de crédito.
O grupo de utilidades públicas também é apontado como sólido, pois trabalha com receitas ajustadas pela inflação e com previsibilidade operacional, o que reduz riscos de variações bruscas de trimestre para trimestre.
Na área financeira, o IFNC tem se beneficiado pela rentabilidade acima da média global e por uma liquidez elevada que atrai investidores estrangeiros, consolidando o papel de bancos como opção de participação em mercados emergentes.
Contexto macro e riscos
Apesar do momento positivo, os especialistas destacam riscos ligados às eleições de 2026 e a possíveis mudanças nas políticas públicas que possam impactar o ambiente de negócios. A trajetória recente da moeda e da inflação também pode influenciar o ritmo do mercado nos próximos meses.
De forma geral, há consenso de que o cenário externo — com dólar menos valorizado e eventuais cortes de juros nos Estados Unidos — continua a exercer peso significativo sobre o desempenho da bolsa brasileira.
Perspectivas para o curto prazo
Analistas esperam que o impulso se mantenha nos próximos meses, desde que haja continuidade na entrada de capitais estrangeiros e na expectativa de redução da taxa de juros no Brasil. A combinação de dólar mais fraco e juros em ajuste pode sustentar a procura por ativos de renda variável no país.
No horizonte, o cenário político nacional e a possibilidade de novas medidas fiscais aparecem como fatores de cuidado para o mercado, que permanece atento aos desdobramentos econômicos e institucionais.
Fonte: Jornal do Tocantins