Banco Central testa novo crédito para casa
By Iris Andrade
Banco Central planeja testar novo modelo de financiamento da casa própria
O Banco Central sinalizou, em reunião com entidades do setor, a possibilidade de implementa- r um período de testes para um modelo de financiamento habitacional que usa recursos da poupança. A estratégia busca avaliar, antes da adoção definitiva no próximo ano, como seria a troca do direcionamento desses recursos para o crédito imobiliário.
Como funcionaria a proposta
A ideia central é vincular o financiamento de imóveis à liberação de poupança para uso livre. Em síntese, a cada real concedido em crédito habitacional, o banco ganharia o direito de usar o mesmo montante de poupança livremente por cinco anos. Ao final desse período, seria preciso oferecer novo crédito para renovar a permissão de uso.
Contexto atual do direcionamento dos recursos
Hoje, 65% dos recursos captados pela poupança vão obrigatoriamente para o crédito imobiliário, 20% são retidos no Banco Central como depósito compulsório e os 15% restantes podem ser aplicados livremente pelos bancos.
Quem está acompanhando a discussão
- Câmara Brasileira da Construção Civil (Cbic)
- Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc)
- Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP)
Principais pontos discutidos na reunião
Representantes destacaram que a mudança representa uma modernização do direcionamento de recursos para o crédito imobiliário, com monitoramento conjunto pelo Banco Central e pelo setor. O Secovi-SP sublinhou que a transição deve manter estável o acesso a recursos para projetos habitacionais e evitar impactos negativos no mercado.
Parâmetros desejados pelo governo
- Limite de 12% ao ano mais a Taxa Referencial (TR) para a linha de crédito
- Financiamento de imóveis de até 1,5 milhão de reais, sob condições equivalentes às do Sistema Financeiro da Habitação (SFH)
Sobre a etapa de implementação
O BC avalia iniciar um período de testes já em 2026, com a transição ocorrendo de forma gradual ao longo de até 10 anos. Durante a fase de experiência, uma parcela dos recursos retidos no BC passaria a obedecer à nova lógica, enquanto o restante manteria o modelo atual.
Impactos estimados e diretrizes de uso
Técnicos do governo estimam que a obrigatoriedade de aplicação em crédito imobiliário poderia crescer de cerca de 90 bilhões para 200 bilhões de reais em dois anos. Na prática, 80% do montante liberado deveria ser destinado a financiamentos de imóveis residenciais (novos e usados) e 20% ficariam para unidades comerciais.
Próximos passos
Ainda não há detalhamento operacional definitivo, mas a percepção entre os participantes é de que, até 2027, haveria dados suficientes para avaliar a viabilidade do novo modelo e, se necessário, realizar ajustes.
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