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Banco Central freia salários, diz Romanelli

By Iris Andrade

Juros elevados freiam o aumento real dos salários, aponta deputado durante prestação de contas no Paraná

Contexto e declarações do parlamentar

Durante a sessão de prestação de contas da gestão fiscal do segundo quadrimestre da Secretaria da Fazenda, o deputado Luiz Cláudio Romanelli (PSD) afirmou que a alta taxa de juros, mantida pelo Banco Central em 15%, dificulta o crescimento real dos salários no Brasil. Segundo ele, o mercado de trabalho apresenta excesso de vagas, enquanto os salários não acompanham esse dinamismo.

Romanelli explicou que, segundo a visão da economia liberal clássica, a existência de muitas vagas deveria favorecer salários maiores. Entretanto, na avaliação do parlamentar, esse efeito não tem ocorrido, com salários de baixa qualificação ainda dominando as entradas no mercado.

Desempenho de investimentos no estado

O titular da Secretaria da Fazenda, Norberto Ortigara, informou que, de janeiro a agosto, o Paraná liquidou mais de R$ 2,3 bilhões em investimentos, batendo recorde histórico dentro da série iniciada em 2001. Em comparação com o mesmo período de 2024, quando foram pagos R$ 1,5 bilhão, houve um avanço de aproximadamente 49%.

Panorama do mercado de trabalho

Dados da Secretaria do Trabalho e Emprego indicam que o estado soma mais de 23 mil vagas abertas nas agências do trabalhador. A taxa de desemprego no Paraná ficou em 3,8% no segundo trimestre de 2025 (considerado pleno emprego), enquanto a média nacional ficou em 5,8%. O total de trabalhadores com carteira assinada no estado alcançou 3.321.347, e, a nível nacional, havia cerca de 48,4 milhões de vínculos formais em julho de 2025, conforme o Ministério do Trabalho e Emprego.

Romanelli também destacou a tendência de saída de mão de obra qualificada para fora do país desde 2015, sugerindo que salários no comércio e serviços ficam próximos ao piso mínimo, enquanto a indústria permanece apenas acima dos R$ 2 mil.

Salários mínimos e perspectivas setoriais

O Paraná registra o maior piso mínimo do país, com faixas entre R$ 1.984,16 e R$ 2.275,36. O piso nacional chega a R$ 1.518. Segundo cálculos do Dieese, o salário mínimo nacional seria suficiente para atender as necessidades básicas de uma parcela maior da população se estivesse em torno de R$ 7 mil. Romanelli ressaltou que a política de juros elevada trava o aquecimento da economia e, por consequência, o aumento de salários.

Construção civil e arrecadação

Ainda segundo o deputado, a construção civil é um importante gerador de empregos, mas o setor vem enfrentando desaceleração. O Secovi, sindicato da habitação, relatou que a atividade está praticamente paralisada em determinados momentos. Entre janeiro e maio deste ano, o setor criou mais de 10 mil empregos no Paraná, e embora seja um dos maiores empregadores no estado, o crescimento depende do aquecimento da massa salarial.

A queda na arrecadação de impostos, especialmente do ICMS, também foi citada como indicativo de desaceleração econômica. Romanelli questionou a manutenção da taxa de juros em 15% e pediu uma explicação convincente sobre a relação entre a oferta de empregos e os salários pagos.

Considerações finais

O deputado afirmou que, para impulsionar a criação de vagas e elevar a remuneração, é necessário reavaliar o ritmo da política monetária e as condições macroeconômicas, destacando que o cenário atual exige alinhamento entre juros, consumo e investimento para estimular a massa salarial.

Fonte: Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (ALEP).

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