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Bambu como solução verde na construção

By Iris Andrade

UEG na COP30 destaca o bambu como solução sustentável para a construção

Belém (PA) – A participação da Universidade Estadual de Goiás (UEG) na COP30 evidenciou um dos projetos ambientais mais promissores do país: o uso do bambu como alternativa sustentável para a construção civil e como ferramenta estratégica no combate às mudanças climáticas. A iniciativa é liderada pela professora doutora Anelizabete Alves Teixeira, docente do curso de Arquitetura e Urbanismo do Câmpus Anápolis e coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Materiais Sustentáveis e Fibras Naturais (Nupmat/UEG). O grupo foi selecionado pela ONU para integrar a Blue Zone, área reservada às delegações oficiais, chefes de Estado e observadores credenciados.

Avanços do Nupmat e papel do bambu

Durante o evento, a pesquisadora apresentou o progresso do núcleo em estudos com materiais de baixo impacto ambiental, com foco no bambu como matéria-prima capaz de substituir madeira, aço e concreto em diversas aplicações arquitetônicas. Segundo Anelizabete, o bambu é a espécie vegetal que mais captura dióxido de carbono da atmosfera, contribuindo diretamente para a redução dos gases de efeito estufa. Além disso, a planta colabora na recuperação de solos degradados, no controle de erosões e na regeneração de áreas comprometidas.

“O bambu é fundamental para descarbonizar a sociedade e reduzir impactos ambientais urgentes. É um material completo, que cresce rapidamente e pode ser aproveitado desde o caule até as folhas”, afirmou a professora em entrevista ao Jornal Opção.

Potencial técnico e industrial do bambu

Os estudos do Nupmat indicam que o bambu atinge maturidade para uso entre três e seis anos, muito mais rápido do que árvores tradicionalmente utilizadas na construção. Com propriedades físicas e mecânicas já amplamente comprovadas por pesquisas nacionais e internacionais, o material apresenta resistência suficiente para ser empregado em estruturas, mobiliário e sistemas construtivos completos.

Para a pesquisadora, o Brasil tem condições de liderar a industrialização do bambu, que já é adotada em larga escala por países como a China. “Na China, o bambu é valorizado como insumo nobre, utilizado em design, painéis engenheirados e obras de alto padrão. O Brasil tem potencial igual ou maior, pois temos clima, território e abundância da planta. O desafio é investir em políticas públicas que estimulem o cultivo e a cadeia produtiva”, disse.

Carta do Bambu e políticas públicas

Na COP30, a professora apresentou a “Carta do Bambu”, um manifesto que reúne demandas da comunidade científica brasileira pela regulamentação da Lei Nacional do Bambu, criada em 2011, mas ainda sem aplicação efetiva. O documento pede maior incentivo à pesquisa, ampliação de financiamento climático e fortalecimento de políticas ambientais que permitam transformar o bambu em vetor de desenvolvimento econômico e social. A estimativa é de que a cadeia produtiva possa gerar renda para comunidades tradicionais, ribeirinhas e agricultores familiares, ampliando oportunidades com base em um recurso renovável e de alto valor ambiental.

Participação estudantil e aplicações práticas

A delegação da UEG na conferência incluiu quatro estudantes do Nupmat, que apresentaram pesquisas sobre cidades esponja, arquitetura efêmera e justiça climática. A professora destaca que a experiência transforma não apenas o olhar acadêmico, mas a visão de mundo de futuros profissionais, que compreendem o papel de suas profissões na proteção do planeta e na construção de sociedades mais sustentáveis.

Durante a programação, o grupo também visitou construções em bambu na região amazônica, incluindo projetos desenvolvidos por pesquisadores da Unesp e institutos locais, demonstrando que a aplicação prática do bambu já é realidade em obras brasileiras. A expectativa é de que esse movimento ganhe força nos próximos anos, à medida que sociedade e governos reconheçam o papel estratégico do bambu na bioeconomia nacional.

Impacto e perspectivas

A presença do projeto goiano na COP30 reforça o posicionamento do Brasil no cenário global de pesquisa ambiental e reforça a ideia de que soluções eficazes para a crise climática podem emergir de iniciativas acadêmicas comprometidas com inovação e responsabilidade socioambiental. “Estamos mostrando que o bambu é uma solução real — ambiental, econômica e social. É um caminho possível e urgente para a construção de um futuro mais sustentável”, conclui a professora.

Fonte: Jornal Opção

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